sábado, 9 de novembro de 2013

A DECISÃO


Fez um esforço tremendo, mas subiu, subiu o mais alto possível.
Ao chegar ao topo, sentia todo o corpo tremer de cansaço. Não sentia mais suas pernas. Encontrava dificuldade até em respirar. Então, sentou-se, esperando recobrar suas forças e acalmar os nervos.
Instante depois, sentiu que sua força retornara. Agora, estava pronto para outra. Animou-se, mas, nem tanto.
Devagar, encaminhou-se até a beirada. Estava alto, muito alto. Alto até demais. Olhando para baixo e sentiu um frio na espinha, sua visão ficou prejudicada, pois, sentiu uma leve tontura. Procurou se manter tranqüilo, respirou fundo, e tentou não desviar os olhos do abismo à sua frente procurando, assim, acostumar-se com a altura, o que não demorou mais que alguns segundos para acontecer.
É agora, pensou, tem que ser.
Não, não foi, olhando a imensidão à sua frente, declinou, não teve coragem. De repente, sentiu medo, muito medo, seu coração começou a bater tão forte e rápido que parecia que iria explodir. Parecia que iria sair pela boca.
Então, sentiu-se mal, um covarde e voltou para traz. Sentou-se a alguma distância da beirada e esperou.
Esperou bastante. Esperou até se sentir seguro novamente. Esperou até a coragem voltar.
Não vou voltar, disse baixinho, me esforcei muito para chegar até aqui, agora, não dá mais para voltar atrás. Agora não vou mais voltar atrás. É agora, ou nunca.
Nesse instante começou a pensar sobre sua vida. Sobre seus amigos, sua família. Pensou sobre suas vitórias e fracassos. E resolveu tomar uma atitude e, sem pensar em nada, foi até a beirada e se jogou. No nada. No vazio. No desconhecido.
Então uma sensação maravilhosa tomou conta de si. Vários sentimentos vieram à flor da pele. Euforia, alegria, felicidade, paz. Liberdade.
           Ele fechou os olhos, abriu os braços e deixou-se levar, deixou-se sentir o atrito de seu corpo contra o ar, contra o vento que o embalava na imensidão, do vazio em que se jogara. No semblante um breve e sincero sorriso. Ele estava feliz. Nada mais existia. E, por um instante esqueceu-se de tudo.
            Esqueceu-se até, que naquele momento caía rumo ao desconhecido, pois, estava nos braços do ar, rumo ao... . Rumo ao...
            De repente um sentimento ruim toma conta de si.
            Solidão. Angustia. Medo.
            Abre os olhos e vê que falta pouco.
            Falta pouco?
            Pouco para o quê?
            Para o sucesso?
            O fracasso?
            Pouco para o fim?
            Fim de quê?
            Por quê?
            Um turbilhão de sentimentos o assombra.
Então se arrepende.
            Mas, ao mesmo tempo se orgulha.
            Orgulho?
            De quê?
            Ele chora.
            Agora não há mais tempo.
            Acabou.
            Acabou?
            Sim.
            Não?
            Nããããooooo???
            No ultimo segundo ele reza, pede perdão. No ultimo minuto se emociona. E faz a única coisa que tem que fazer.

No ultimo segundo, ele, pela primeira vez, bate suas asas e antes de se chocar contra o solo, sai  voando pela imensidão do céu.

Marc Souza

2 comentários:

  1. Marcio Luiz de Souza10 de novembro de 2013 11:24

    Eu que achei que seria uma tragédia...

    ResponderExcluir