sábado, 8 de novembro de 2014

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segunda-feira, 8 de setembro de 2014

DESTINO


Eles se amavam muito. Amavam-se perdidamente. Eram almas gêmeas. E apesar da pouca idade, faziam muitos planos para o futuro.
Quando casariam...
Quantos filhos teriam...
Em todos planos e sonhos que tinham em comum, eram um casal feliz. Uma família feliz.
Mas o destino...
Ah! O destino! Tantas vezes herói. Outras tantas vilão. Responsável por nossas alegrias e tristezas. Por nossas realizações e decepções.
O destino resolveu agir, e não foi o herói.
De repente eles foram separados. Jovens demais nada puderam fazer, além de aceitar o que pelo destino lhes fora imposto.
Os anos passaram e eles tiveram outros amores.
Amores possíveis, impossíveis.
Por amor sofreram. Por amor choraram. Por amor fizeram planos, sonharam.
Viveram as suas vidas. Percorreram seus caminhos.
Até que o destino...
Ela estava no consultório médico quando ele entrou. Olharam-se vagarosamente se analisando mutuamente. Passada a tensão inicial, começaram a conversar.
Ela levava seu filho ao pediatra, enquanto ele, sua filha.
Ambos haviam se casado, mas, já estavam separados. 
Trocaram endereços. Telefones.
Naquela noite nenhum dos dois conseguiu dormir. O destino novamente agira.
O destino...
Mal o dia havia amanhecido e ele já estava na frente da casa dela. 
Pensou em ligar antes, mas, desistiu. Iria fazer-lhe uma surpresa. Iria se declarar a ela. Abrir o seu coração. Dizer que a amava, que sempre a amou. Que, em toda a sua vida ela era o seu único e verdadeiro amor.
Do outro lado da rua, havia mais felicidade. Ela estava feliz. O destino novamente lhe sorrira. E ela havia reencontrado o grande amor da sua vida. Ela não perderia tempo, ira se declarar a ele dizer que o amava e que ele era seu grande amor. Seu verdadeiro amor.
Em frente à casa do seu amor, ele observa a movimentação. Esta esperando a melhor hora para fazer aquilo que esperou a vida inteira. 
E, mais uma vez, o destino age. A porta se abre e ela surge: Linda, maravilhosa.
Hipnotizado por tamanha beleza ele parte em sua direção. Vai ao encontro da sua alma gêmea. Do grande amor da sua vida. Extasiado. Maravilhado. Realizado.
Então, ele é atropelado por um ônibus, que apesar de frear bruscamente, não consegue parar antes de acertá-lo, deixando-o caído, sem vida, próximo à sarjeta. 
Ah, o destino!
O destino é &%$#



Marc Souza

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

O CELULAR



Estava muito feliz pelo presente que dera a si mesmo. Havia muito tempo sonhara com um presente desses, agora ele se tornara uma realidade. O sonho fora realizado.
De agora em diante ele também teria um desses celulares de causar inveja às pessoas. Um celular de última geração, destes que são usados nos países mais adiantados tecnologicamente, como Estados Unidos e Japão.
Um celular à prova d’água, internet de última geração, anti-risco, com comandos de voz, destravamento por íris, enfim, um celular completo. Um celular de última geração, destes utilizados nos filmes de ficção científica.
Seu orgulho era tamanho que nem deixou a vendedora embrulhar o presente. Ficava namorando-o. Olhando-o apaixonadamente. No carro colocou no banco do carona ao lado do celular velho e, a cada parada, olhava-os comparando os dois.
“Que lixo eu tinha” pensava. “Nem sei como eu não tinha vergonha de andar por aí com um celular desses, tão... tão feio. Horrível.”
O sinal estava vermelho. Ao parar o carro percebeu que uma mulher que estava no carro do lado estava olhando-o. Era uma mulher linda. Tão linda que o deixou hipnotizado. Não conseguia desviar o olhar. Estava apaixonado.
“Meu Deus!” – ele pensou – “Que mulher linda!” “O que eu faço, o sinal vai abrir e eu não posso perdê-la.”
Então veio à sua mente uma idéia genial. Quando o sinal abriu ele jogou um de seus celulares dentro do carro dela, assim, quando chegasse em casa ele ligaria para ela, e marcaria um encontro, nem se fosse para ela devolver o celular.
Acelerou o máximo que pode. Queria chegar em casa o quanto antes para ligar para aquela que ele acreditava ser o seu amor.
Que dia maravilhoso, realizara seu sonho de consumo, e conhecera o amor da sua vida.
No entanto ao parar o carro na garagem não pôde acreditar no que viu; Foi quando percebeu que o celular que jogara no carro da mulher não fora o celular velho e sim, o novo, que nem chip tinha.

Marc Souz


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Entre pai e filho


            
Seria um dia só para os homens da família. Um dia onde tomariam sorvete, andariam pela cidade à toa. Visitariam lojas de artigos esportivos e no final da tarde, assistiriam a um jogo de futebol.
            Um dia perfeito!
            Levantaram cedo e saíram para cumprir todo o cronograma elaborado pelo pai. A primeira experiência que teriam juntos. Somente os dois. Pai e filho. Filho e pai. Um dia para conversarem. Para se divertirem. Para realmente se conhecerem. Afinal, a correria do dia a dia não deixava que eles fizessem programas só entre os dois.
            O dia estava correndo perfeitamente bem. Entraram em uma loja de artigos esportivos. O pai estava muito ansioso, queria saber qual dos esportes seu filho mais se identificaria. É claro que o pai tinha suas preferências, mas, procurou observar o filho de longe, deixando caminhar livremente pela loja e conhecer todos os artigos esportivos e , claro, conhecer todos os esportes.
            O menino andou, andou, andou. Andou por entre chuteiras, tênis de futsal, vôlei, basquete, sapatilhas de corrida, luvas de boxe, de goleiro, capacetes, protetores, enfim, o menino andou a loja toda. Conheceu os mais inúmeros esportes e artigos esportivos. Mas, não demonstrou interesse algum, por qualquer que fosse o esporte.
            Vendo a indecisão do filho o pai começou a ficar ansioso, na verdade, desanimado. Ele sempre fora muito ligado a esportes. Jogou futebol na adolescência e ainda, nos dias atuais jogava uma pelada com os amigos, uma vez por semana. Ele queria que seu filho se interessasse por algum esporte. Não precisava ser futebol. Qualquer um servia. Afinal, esporte é saúde. Dedicação. Disciplina...
            Já estava desistindo quando viu um brilho no olhar do filho, seguido de um sorriso. Ele havia encontrado o que procurara o tempo todo. Havia se identificado com um esporte. Orgulhoso o pai foi ao encontro do filho, que entregou-lhe um par de sapatilhas de ballet.
            No caminho da volta para casa não trocaram uma palavra sequer.
            Mas o pai percebeu toda a satisfação do filho pelo presente que ganhara. Não era o que ele esperava, mas, sentia-se feliz também.
            Há, eles não passaram no estádio para assistir ao jogo de futebol, ia ficar tarde para a apresentação do ballet,  à noite, no Teatro Municipal.

Marc Souza

           
 

sábado, 19 de julho de 2014

UM DIA QUALQUER


UM DIA QUALQUER

 O que você faria se soubesse o seu futuro?
O que você faria se, ao se levantar de manhã para o trabalho já soubesse tudo o que fosse lhe ocorrer?
As coisas boas e as ruins.
Confesso que eu não saberia o que fazer.
Talvez, procuraria manter ou mudar meus atos; dependendo do que pudesse acontecer eu tentaria mudar os fatos, procuraria melhorar, pensar melhor. Tentaria enganar o destino.
Talvez!
Mas, sinceramente? Não tenho certeza.
Muitos dizem que, quando algo vai nos acontecer, seja de bom ou ruim, sentimos. Nosso corpo ou nossa mente, nem se for por um segundo, sente. E quando o imprevisível acontece sentimos que já sabíamos que aquilo poderia acontecer.
Mas, naquele dia eu nada senti. Era um dia normal. Como todos os dias, levantei cedo, tomei meu banho e saí para o trabalho.
Nenhum sentimento. Nenhuma premunição. Nada. Nada que pudesse me preparar para o que estava por vir.
Mesmo agora me pergunto: se eu, por um acaso soubesse o que estava por vir, o que eu faria? Tentaria mudar os fatos? Ou deixaria o destino agir com sua lógica, ilógica. Com seus caminhos estranhos, que no final, nos levam para um só lugar.
Se eu soubesse o que estava por vir, eu mudaria meus atos para com meus amigos? Meus conhecidos? Minha família? Eu procuraria ser uma pessoa melhor?
Não sei.
Mesmo depois de tudo o que aconteceu eu, eu ainda não sei o que dizer. Não sei o que pensar. Não sei o que fazer, ou, no meu caso, não sei o que faria.
Naquele dia tudo ocorreu como sempre.
Trabalho. Almoço. Trabalho. Lanche da tarde. Trabalho.
Nenhum pensamento. Nenhum sentimento. Nenhum pressentimento.
Mas, algo estava por vir. Algo que mudaria a minha vida e a de meus amigos e familiares para sempre.
E eu... Eu sequer imaginava que fosse acontecer.
Saí do trabalho no mesmo horário de sempre. Tomei o mesmo ônibus, lotado como sempre, com as pessoas de sempre. Você pode não acreditar, mas, depois de anos fazendo todos os dias as mesmas coisas, tomando sempre o mesmo ônibus, no mesmo horário, eu reconhecia cada um daqueles rostos. Apesar de nunca ter trocado qualquer palavra com quem quer que fosse. Pelos olhares, conhecia cada um. E imaginava as suas histórias. Percebia seus medos, seus anseios. E muitas vezes imaginava quais seriam seus sonhos.
Aquele era um dia qualquer. Um dia como qualquer outro que eu vivera até então.
Ledo engano.
Desci do ônibus e como sempre, passei na mercearia, comprei um refrigerante gelado para o jantar e sai andando pela rua movimentada. Àquela hora as pessoas como eu, estavam voltando para casa do trabalho. As crianças andavam de bicicleta e corriam pela rua de terra batida. Brincavam felizes. Muitos adultos estavam nos barzinhos tomando cervejas, jogando sinuca ou jogando conversa fora. Tudo dentro da normalidade.
Muitas vezes uma atitude faz com que o futuro, o seu futuro, seja mudado. Para o bem. Para o mal.  Uma parada em um local qualquer. Uma saída atrasada, ou adiantada. Até o fato de almoçar ou não pode trazer sérias conseqüências.
Após a parada na mercearia comecei a subir o morro.
De repente tiros.
As pessoas começaram a correr de um lado para o outro. Começaram a procurar abrigo contra as balas, que passavam vindas de todos os lados. Balas que cortavam o ar acertando as paredes dos barracos, suas janelas seus tetos, balas que não tinham endereço próprio.
Que vida!
Quase todos os dias era a mesma coisa. Não importava o sofrimento. Não importava o que passávamos no trabalho. Na volta era a mesma coisa. A briga entre o bem e o mal, se é que essa briga realmente existe. Até por que, no meio dela estávamos nós. Trabalhadores honestos, cansados após um dia estafante. Pais de família, estudantes, crianças. Todos nós estávamos ali, cada um tentando se salvar. Salvar a própria pele. Livrar-se da morte iminente.
Aquele era um dia qualquer, quantos destes eu tivera. Quantas vezes passei a noite na rua sem poder voltar para casa por causa desta luta a qual eu nunca fizera parte.
Mas, naquele dia, tudo mudou. A minha vida. A vida dos meus familiares mudou sem avisar. Sem pressentimentos ou sonhos.
Aquele dia, não era um dia comum. Não era um dia qualquer. Era o dia da mudança, da transformação.
Escondido entre os barracos se protegendo das balas que insistiam em cruzar o ar em busca de um destino, ouvi um barulho, um grito de terror. Procurei ver o que estava acontecendo, foi quando percebi que o grito estava sendo direcionado a mim.
“O que eu fiz?” – pensei – “O que está acontecendo?”
Então percebi que a minha camisa estava molhada, mas, não era água. Era um líquido quente vermelho vivo, que insistia a sair de mim. Rapidamente meu corpo foi enfraquecendo, minha visão foi escurecendo. De repente eu já não ouvia os gritos de desespero da mulher. De repente, nada mais ouvi ou senti e tudo, tudo se transformou em nada.
Para mim era um dia comum. Um dia como qualquer outro. Um dia em que vivi. Trabalhei. Diverti-me.  
E mesmo agora, depois de tudo o que aconteceu ainda não sei dizer, que, seu eu soubesse seu desfecho faria diferente.

Por que aquele foi um dia comum. Um dia que jamais esqueci. Aquele foi meu ultimo dia, foi o dia em que morri.

                                                                 Marc Souza

segunda-feira, 14 de julho de 2014

DETALHE


Ele passou o dia todo procurando emprego, mas, em vão.
Andou, andou, andou e nada. Sem emprego. Uma proposta sequer. Mais um dia em vão. Mais um dia sem conseguir aquilo que mais desejava naquele momento: Um emprego.
Era só isso que desejava: Um emprego.
Havia muito meses não encontrava um “bico” sequer.
O dinheiro estava acabando. Não só o dinheiro, indispensável para a sua sobrevivência, mas a esperança também estava se esvaindo. Estava triste e desanimado, mas, procurava não desistir. Estava difícil, mas, não podia desistir.
Ele tinha que continuar, e acreditar, que logo as coisas iriam melhorar. Logo estaria empregado e feliz novamente.
Cansado pelo dia estafante ele resolveu sentar-se no banco da praça. As pessoas iam e viam, passavam pela sua frente, mas, ele estava tão absorto em seus pensamentos, que não via nada. Somente vultos que transitavam à sua frente. Pessoas sem rostos e sem histórias. Pessoas como ele, invisíveis ao sistema. Um sistema falido, que o considerava, apesar da pouca idade, quase um inválido.
A desculpa era sempre a mesma: Quando ele tinha experiência no trabalho, estava muito velho. Quando não conhecia o trabalho ele não tinha a experiência que a empresa esperava.
Era isso que estava vivendo. Uma vida de insegurança e medo. Uma vida de sentimentos diversos. Decepção. Desânimo. Medo.
Sentado naquele banco alheio ao que estava acontecendo, à sua volta, deixou-se abater. De repente não tinha mais forças para sair dali. De repente não queria mais sair dali. Estava totalmente entregue.
As horas foram passando e ele foi ficando. Ficando. Imóvel. A noite estava caindo e ele ali. Olhando para o nada.
Com a noite os personagens da praça foram mudando. Logo uma mulher, com trajes mínimos pára à sua frente.
- Olá bonitão – diz ela se oferecendo a ele, que, a ignora – Bonitão – ela não desiste – Bonitão, estou falando com você.
- Oi – responde educadamente, mas sem prestar muito atenção a ela.
- Você, não esta interessado? – continua ela mostrando-lhe o corpão.
- Interessado? – pergunta totalmente desinteressado.
- Você não esta interessado em se divertir um pouco. Fazer um programinha.
- Fazer um programa?
- Isso mesmo, meu lindo – diz ela sentando-se ao seu lado.
Ele olha para ela, pega a carteira e conta o dinheiro que tem. Pensa um pouco, então decide:
- Acho que sim – responde ele.
- Acha, ou tem certeza? – ela pergunta fazendo carinho nele.
- Vamos lá - diz ele já se levantando abraçado a ela – Mas eu tenho que te dizer algo.
- O que quiser meu lindo! Você pode dizer o que quiser, paixão
- Cobro cem reais!


Marc Souza

sábado, 12 de julho de 2014

CONVERSA MÉDICA

            
CONVERSA MÉDICA

Em um consultório médico.
            - Então doutor, o senhor... O senhor tem certeza? – pergunta ela.
            - Absoluta! Certeza absoluta! – responde o médico.
            - E o que eu preciso fazer para... O senhor sabe...
            De repente ela se sente totalmente perdida, cheia de duvidas. Afinal, nunca esperou viver tal situação.
            - Primeiramente, repouso. Muito repouso. Uma boa alimentação. E claro, evitar qualquer tipo de esforço. Ah! Outra coisa, o acompanhamento médico é fundamental.
            - E remédios? Quais remédios devo tomar?
            - Remédios? – começa a pensar – Remédios? Tem algo que você pode tomar, mas, vou ser sincero, esses remédios só vão amenizar os sintomas. Infelizmente qualquer remédio que eu lhe receitar de nada vai adiantar. Os sintomas vão continuar, eles podem diminuir a intensidade, mas, vão continuar. Nenhum remédio vai cortar os sintomas por completo. Nenhum.
            - Entendo.
            - Vou receitar alguma coisa para você, para amenizar um pouco o que você vai sentir neste tempo. Mas o importante é que você se alimente bem, e repouse. Repouse muito, ok?
            - Sim! Sim senhor! Mas doutor?
            - Pois não!
            - Quanto... Quanto tempo?
            - Como?
            - Doutor, quanto tempo tenho? Quero dizer, quanto tempo falta?
            - Sete meses!
            - Sete meses?
            - Exatamente, dentro de sete meses, você será uma linda. Uma linda mamãe. Parabéns!


Marc Souza

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A DECLARAÇÃO


A DECLARAÇÃO

Naquele dia, entrou no ônibus decidido; Iria se declarar a ela. Dizer que a amava. Que ela era o grande amor de sua vida. Há dias pensava nisso e naquele momento havia tomado a grande decisão. Não mais esconderia seus sentimentos. Não mais.
Ele a amava desde o primeiro dia que a vira entrar naquele ônibus lotado. De repente, na confusão de pessoas que procuravam se acomodar dentro do ônibus lotado ela surgiu. Linda. Radiante. De uma hora para outra tudo se transformou. Não havia mais caos. Não havia mais desconforto. De uma hora para outra o sofrimento, a dificuldade daquela situação transformou-se em prazer. Prazer em vê-la mesmo que a distância. Seus olhos. Seus cabelos. Seu jeito meigo de ser. De repente se viu apaixonado. Perdidamente apaixonado por aquela garota.
A partir daquele dia ele não via a hora de tomar o ônibus de manhã. Apesar do sofrimento que era enfrentá-lo naquele horário, horário em que todos iam para o trabalho. Queria vê-la. Nem se fosse de longe. Ele fazia de tudo para ficar próximo a ela. Algumas vezes, quando tinha lugar para ele sentar, logo que ela entrava no ônibus usava de seu cavalheirismo passando-lhe o lugar. Quando não, fingia dormir para que ninguém sentasse ao seu lado na poltrona até ela chegar.
E trocavam olhares. Trocavam sorrisos. Mas nunca, nunca conversaram. Nunca trocaram uma palavra sequer. Até aquele dia. Aquele fatídico dia.
Na noite anterior ele ensaiara todos os passos que daria na manhã seguinte. A forma de se comportar. As palavras a dizer. Ficou horas e horas na frente do espelho. De manhã, tomou um banho. Passou sua melhor colônia e saiu. Decidido. Iria definitivamente entregar-se a seu grande amor.
O ônibus estava praticamente vazio quando entrou. “Um sinal” – pensou - “Um bom sinal”. Encontrou uma poltrona vazia e sentou-se. Para que ninguém sentasse ao seu lado fingiu dormir. Vez ou outra abria os olhos discretamente observando a movimentação dos passageiros, mas, mais uma vez tudo ocorreu bem. Tudo estava contribuindo para que ele naquela manhã se entregasse ao amor. E declarasse de uma vez todo o amor que sentia por ela.
Mais uma parada e lá vem ela. Bela. Iluminando todo o local. Trazendo luz às trevas do seu coração. Trazendo o cantar dos pássaros ao silêncio da sua vida. Ele fica nervoso. Tenso. Ansioso. De repente seu coração começa a bater forte. A respiração esta ofegante, mas ele luta contra a ansiedade com todas as suas forças. Então se levanta e oferece um lugar ao seu lado. Ela lhe sorri e senta-se.
“Agora é a hora” – pensa – “Tudo esta saindo como planejado” “É um sinal”.
Estão lado a lado. Ele tenta conter a ansiedade antes de puxar conversa com ela, afinal não quer passar vergonha na frente da pessoa amada. Tenta controlar a respiração, abaixar os batimentos cardíacos. Afinal parece que o seu coração vai sair pela boca.
Trocam olhares. Sorrisos.
“É hoje.” “Tem que ser”. “Meu Deus! Como ela é linda!”. “Linda!”.
Ela olha para ele e sorri. Um sorriso que o deixa hipnotizado. Paralisado. “Ela me ama, vejo em seus olhos”. “Seu sorriso”. “Seu olhar”. “É agora, tem que ser”.
Encorajado com a situação, ele a olha ternamente. Um olhar de pessoa apaixonada. Então, antes de se declarar:
- Moço!? – começa ela - O senhor... Desculpe, mas... O senhor esta com uma caquinha no nariz. Bem aqui ó... – completa fazendo um sinal.
Foi um banho de água fria. A vergonha tomou conta dele, que, limpando o nariz rapidamente levantou-se e saiu, em silêncio. Logo no primeiro ponto que o ônibus parou, ele desceu, e nem olhou para traz.


Marc Souz (escritor)

Este conto está no meu livro casos Acasos e DEScasos à venda na Aped Editora Aped no link:
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Seção entretenimento
Ou no email: marcsouz@yahoo.com.br

quinta-feira, 19 de junho de 2014

BELEZA!?



“Ele é muito feio. Horrível”. - pensou ela – “Meu Deus, onde ela arrumou um namorado tão desconjuntado assim?” - continuou – “Eu sinto muito, mas, vou ter que ter uma conversa séria com ela. Como serão seus filhos? Como serão os meus netos? Se puxarem para ele, eu não sei nem o que dizer. Eu tenho que tomar uma atitude antes que seja tarde demais”.
Aquela era a primeira vez que vira o namorado da filha. E, como a primeira impressão é a que fica. Estava decepcionada. Para ela, ele era muito feio. Estava aquém da beleza de sua filha. Uma menina bonita, na verdade linda, que tinha um grande futuro pela frente. Que poderia arrumar o namorado que quisesse. Mas aquele, aquele não. Não poderia suportar as brincadeiras, e, principalmente os comentários que as pessoas fariam da sua filha.
“Ela é tão bonita mais com um namorado tão feio, tadinha”. “Aquele rapaz é mais feio do que bater na mãe por causa de mistura na sexta feira santa.” “Se os filhos deles puxarem ao pai, só por Deus para ter misericórdia deles.” “Será que ela estava com tanto medo de ficar para titia que pegou o primeiro homem que apareceu?”
Ela teria que tomar uma atitude e livrar a filha daquela situação embaraçosa.
Deixou-os na sala e foi pegar água na cozinha. Quando retornou disse para a filha.
- Meu amor eu gostaria de falar-lhe. É um minutinho só.
- É claro mamãe, espere só um pouquinho que o Tiago esta descrevendo para o papai o tour que faremos pela Europa na nossa lua de mel. A senhora sabia que ele tem uma casa na Toscana? E é sócio de um resort na Grécia?
- Ah! – interrompe Tiago – Mas pode ficar tranqüila sogrinha que eu não vou tirar a sua filha da senhora não. Meus negócios na Europa ficam sob a responsabilidade do meu sócio. Eu cuido das empresas aqui do Brasil. Uma ou duas vezes por ano a gente vai para a Europa, mas, é jogo rápido. Se quiser, a senhora pode até ir conosco.
Ela assentiu e sai. Volta para a cozinha para guardar a jarra e os copos, sua filha entra em seguida.
- Diga mamãe, o que a senhora queria falar-me?
A mãe olha nos olhos da filha e, engole seco. Pensa algumas coisas que poderia dizer. Mas, nada diz.
- Não era nada não filha, esquece.
- Mas a senhora...
- Vá lá com o seu namorado, eu já estou indo.
- Mãe?
- Tá bom... Tá bom... – ela aperta a mão da filha firme, e olha diretamente em seus olhos – Eu... Eu espero que você seja muito, muito feliz, filha. Você tem a minha benção.
Lágrimas descem dos olhos da filha que responde: - Obrigada mãe. Eu fico muito feliz que tenha gostado dele, e que tenha me dado a sua benção – beija a mão da mãe e sai.
Da cozinha a mãe os observa na sala, conversando, felizes.
“Pensando bem, ele tem até uma certa beleza, uma beleza peculiar. Exótica”


Marc Souza

quarta-feira, 18 de junho de 2014

TRÁGICA SURPRESA


            

            
TRÁGICA SURPRESA

Ao entrar no restaurante, a surpresa.
Ele não podia acreditar no que estava vendo. Ou, não queria. Mas, eles estavam lá, os dois. Parecia um casal. Um casal apaixonado.
            A troca de olhares, os sorrisos. O toque.
            “Sim, eles estão apaixonados” – pensou.
            Aquilo foi um banho de água fria. De repente ele sentiu que seu mundo fosse desabar. A dor que sentira era forte, tão forte que parecia que seu coração fora transpassado por algo.
            Não merecia aquilo. Não, não merecia. Sempre fora fiel. Honesto. Procurava dar o máximo de si na sua relação. E agora, tivera aquela surpresa. Grande surpresa. Terrível surpresa.
            Olhou mais uma vez, e viu-os se beijando. Se lhes contassem com certeza não acreditaria. Mas, agora, vendo-os a poucos metros...
            Queria sair dali. Sumir. Desaparecer para sempre.
Ou melhor, queria não estar ali. Queria estar em qualquer outro lugar do mundo, menos ali. Dezenas, centenas de restaurantes e ele fora escolher logo aquele. Logo naquele horário.
Os deuses não foram bons para com ele. Não merecia vivenciar aquela situação, ver aquilo. Ver aquele lindo e belo casal. Sorrindo. Felizes. Talvez, desdenhando dele. Se divertindo com a sua ignorância. Se divertindo com aquela traição.
Triste, desiludido resolveu sair. Deixar aquele lugar amaldiçoado. Aquele lugar onde encontrou a decepção. Onde seu coração fora partido, talvez, para sempre. No entanto, ao chegar na porta, tomou uma decisão; As coisas não poderiam, não deveriam ficar assim.
Então, se dirigiu a mesa em que eles estavam. O casal sorria quando ele chegou. Um sorriso que foi cortado bruscamente com a sua presença. Um sorriso que, de repente transformou-se em silêncio. Um silêncio ensurdecedor.
Cortando o silêncio, como uma adaga, ele disse: - Não acredito que você fez isso comigo, Carlos Eduardo. Não acredito! Não acredito que você teve a coragem de me trair. – e saiu totalmente descontrolado.

                                                                                                                                 Marc Souza            

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A FESTA


         
Ela era a menina mais bonita da escola, e, estava olhando para ele. Fixamente. Não tirava os olhos dele, desde que ele chegara à festa. Além da troca de olhares, vez ou outra, rolava um sorriso tímido. Mas, um sorriso.
         Assim foi quase a noite toda. Troca de olhares, sorrisos, afins. Apesar de tudo, ele não tinha coragem de ir conversar com ela. Ficava somente a observá-la. A cobiçá-la.
Afinal ela era a garota mais bela que ele vira em toda a sua vida. Era muito popular e tinha todos os garotos da escola aos seus pés.
Quanto a ele...
Ele não era feio. Para ser sincero, ele tinha uma beleza exótica. Peculiar. Para não falar estranha. Estava muito longe de ser popular sua vida social, ou melhor, seus amigos se resumiam a três ou quatro, todos do sexo masculino. Seus namoros, bem, seus namoros eram só virtuais. Platônicos.
Era invisível. Ninguém o via. Principalmente quando se tratava de pessoas do sexo oposto.
Mas, naquela noite tudo pareceria mudar. Logo, os ventos estavam soprando a seu favor. E soprando forte, afinal, a garota mais linda da escola não tirava os olhos dele.
O pior era que ele não sabia o que fazer. Sentia-se o garoto mais importante da festa. O garoto mais feliz da festa. No entanto só a olhava e sonhava, sonhava com situações que talvez, jamais aconteceriam.
Mesmo buscando forças em seu intimo. Coragem, onde não tinha. Estava completamente imóvel. Não conseguia sair do lugar. Não conseguia tomar qualquer atitude que fosse, a não ser retribuir o olhar. E sorrir, um sorriso bobo.
De repente ela sumiu, desapareceu. Ele procurou-a, mas não conseguia encontrá-la. Então alguém o tocou. Era ela. Linda. Parecia um sonho. Seus cabelos balançando ao vento, igual a um comercial de shampoo, deixou-o totalmente hipnotizado.
Aos poucos, os lábios dela foram se aproximando dos dele. O mundo parara. Tudo estava mais lento. Mais sedutor. Esperando um beijo ele fecha os olhos. Então ela fala bem baixinho ao seu ouvido.
- E aí, será que gata da sua irmã, vai demorar para chegar?


Marc Souza

terça-feira, 20 de maio de 2014

FLORES


Conto do Novo Livro, confira:

AMÉLIA



Não havia musica que Amélia mais odiava que: “Ai que saudade da Amélia”, não podia acreditar que existisse uma mulher como tal. E, o que era pior, não suportava as brincadeiras a que era obrigada a ouvir por causa do seu nome. Até por que ela era o oposto da Amélia da música. Ela era independente, lutava pelo o que acredita, por isso não escondia sua insatisfação quando alguém chegava próximo a si e começava a cantar: “Aquilo que era mulher...”.
Amélia acreditava na igualdade entre o homem e a mulher. Ou melhor, acreditava que o homem devia fazer de tudo para agradar a mulher. Não conseguia entender, nem aceitar uma música como aquela, musica que, para ela, em momento algum enaltecia a mulher por suas lutas, e sim, por sua acomodação, aceitação, subserviência ao homem. E isso era inadmissível. “Essa história de passar fome e achar bonito não ter o que comer. De mulher não ter vaidade. Não existe” – dizia.
Por isso vivia a criticar as mulheres que abdicavam da sua vida pelo marido, pelo casamento. “A mulher não é simplesmente uma máquina de fazer filhos e limpar a casa.” – afirmava.
Bonita, bem sucedida, Amélia namorara poucas vezes, com trinta e sete anos já estava ficando para titia, bem, ficando não já era titia. Todas as suas amigas de infância já haviam se casado.
Mas, apesar de mostrar-se casca dura, Amélia, era sim, uma mulher romântica. E como todas as mulheres românticas, sonhava com a chegada de seu príncipe encantado, que, montado em seu cavalo branco, a arrebataria e a levasse para seu castelo onde viveriam felizes para sempre. Um homem que viveria para lhe fazer feliz.  Que não gostasse de futebol, sem amigos e sem ex-namoradas. Que a trataria como uma princesa, ou melhor, como uma rainha.
“Este homem que você deseja, infelizmente, não existe” – diziam suas amigas. “Ou é o bar, ou o futebol, os homens nunca vêem sozinhos. Sem contar com aqueles que vêm com os dois”.
“Por isso que estou sozinha” – respondia – “Eu que não vou ficar em casa passando roupa enquanto o meu marido sai para jogar futebol ou beber cerveja com amigos. Não sou empregada de ninguém. No meu lar, serei a rainha. Vocês que são umas bobas, idiotas”.
Mas todas sabiam que tudo o que ela dizia era da boca para fora, em seu intimo Amélia se sentia triste e sozinha.
Um dia Amélia apareceu com uma grande noticia: Estava apaixonada, pois, havia encontrado o homem da sua vida, o seu príncipe encantado.
A princípio ninguém acreditou nela. Pensaram até em mandar interna-lá. Ela havia ficado louca. Afinal, achar alguém para chamar de príncipe, ainda mais para ela chamá-lo, com todas as suas exigências e manias era quase que um milagre. Ou loucura. Não que não acreditassem em milagres, mas, preferiram acreditar em loucura. Amélia estava louca.
Aos poucos o que parecia um delírio foi se tornando realidade. Amélia definitivamente encontrara o amor. E para provar isso, marcou um jantar com toda a família e amigos.
Todas estavam ansiosas para ver e conhecer seu príncipe encantado. Algumas diziam que ele deveria estar à beira da morte, outras que ele, deveria ser terrivelmente feio. Teve até quem achara que ele era gay e ela teria um casamento de aparências.
No dia do jantar todas estavam lá e preparadas para rirem de Amélia e ver seu príncipe da forma que ele realmente seria: Um sapo.
Más línguas. Más amigas. Invejosas. Incomodadas com a felicidade alheia. Não queriam acreditar que Amélia havia tirado a sorte grande e que, diferentemente delas havia encontrado um príncipe de verdade.
 Ele não chegou montado em um cavalo branco, mas, a sua beleza causou uma grande surpresa. A inveja começou, quando viram a sua postura e a sua educação. O “sapo” era um príncipe. Perfeito! O homem que Amélia sempre sonhara. O homem que elas acreditaram não existir. Ou melhor, existir somente na imaginação de Amélia.
Amélia tirara a sorte grande. Enfim, seria a rainha do seu lar, como sempre sonhara. Naquele dia, nenhuma de suas amigas conseguiu dormir, tamanha inveja que sentiam.
Dias depois; o casamento. Amélia, enfim, se tornara a rainha que tanto sonhara.
“Que inveja”. – pensavam as amigas – “Que inveja”.
Aquele fora o dia mais feliz de Amélia até então. E o dia mais difícil para suas amigas. O dia em que tiveram que aceitar que Amélia sempre tivera razão. Sempre estivera certa e elas... E elas... Corroíam-se por dentro...
Dias depois, querendo presenciar a vida de rainha que Amélia estaria vivendo, suas amigas se reuniram e foram visitá-la. Ansiosas para verem a Rainha que ela se tornara. Foram sem avisar, afinal era sábado à tarde, e quem sai aos sábados à tarde? Com certeza Amélia estaria em seu castelo com seu rei.
Então, aproveitando-se que seus “príncipes” saíram para jogar futebol foram elas, visitar a “rainha Amélia”.
Ao chegar à casa de Amélia, a surpresa: não havia castelo, não havia rainha. O rei havia saído fora jogar futebol com os amigos enquanto a “rainha” passava uma enorme pilha de roupas. E, o que era pior, Amélia em nada se parecia com a Amélia que estavam acostumadas ver. Ela estava com as unhas por fazer, os cabelos, que cuidava com grande esmero, chegando a gastar fortunas para mantê-lo sempre maravilhoso, aparentemente quebradiço, sem vida. Amélia tentou disfarçar, mas era tarde demais. O castelo, de areia, havia desmoronado.
Nesse momento suas amigas foram acometidas por um grande sentimento de: Felicidade. A inveja se foi. Aquele sentimento mesquinho que sentiam se dissipou. Não havia mais rainhas ou plebéias. Não havia mais conto de fadas, agora era a vida real. E se sentiram feliz por isso, mas, com uma pontinha de tristeza, afinal eram amigas de Amélia e a amavam.
A tarde foi maravilhosa, feliz. Tão feliz que até combinaram de se reunirem na próxima semana.
Ao deixarem à casa de Amélia, suas amigas, não puderam se conter, e, felizes, foram embora cantando: “Amélia não tinha a menor vaidade. Amélia que era mulher de verdade...”.

A amiga merecia essa homenagem.

Marc Souza


sexta-feira, 16 de maio de 2014

Conto: Este conto está no novo livro do Marc

O ATRASO



Ao olhar no despertador percebeu que estava terrivelmente atrasado. “Droga” - pensou ele levantando-se rapidamente da cama – “Se eu não for demitido hoje, não vou nunca mais”.
Em poucos minutos já estava na rua, quase correndo, procurando chegar no trabalho o mínimo atrasado possível. Era a terceira vez na semana que chegaria atrasado ao trabalho, o pior, é que seu chefe fora bem direto da ultima vez: “Da próxima, rua. Entendeu? Rua?”
Não via nada á sua frente, somente pensava em qual desculpa daria ao chefe.
“Que merda de despertador! Que merda!” – pensava. “Agora não tem desculpa, é rua”.
Conforme andava, mais ficava ansioso. Nervoso. Desesperado. Não podia perder o emprego, não agora. Mas tinha que concordar com o chefe, estava muito relaxado nos últimos dias, mas, não tinha culpa. Sua jornada dupla estava acabando com ele. Era trabalho e faculdade. Faculdade e trabalho. A correria era grande, e o tempo curto. Muito curto.
Andava cansado. Exausto. Ainda mais que estava em semana de prova, o que era pior.
Por isso, ele quase corria, olhando no relógio de tempos em tempos procurando ao menos estar errado quanto à hora. Mas, infelizmente, não estava errado, e seu atraso era real. E a perda do seu emprego... A perda do seu emprego, idem.
Depois de muito andar começou a perceber algo diferente. De repente deu-se conta que o movimento estava anormal. A rua, sempre movimentada estava vazia. Não havia movimentação das pessoas atrasadas para o trabalho, tampouco, de veículos. Na verdade a rua estava morta, sem movimentação alguma, sem contar que as primeiras lojas do centro, que àquela hora já deveriam estar abertas ainda estavam fechadas.
Olhou novamente no relógio. Uma, duas, três vezes.
“Não é possível será que meu relógio parou? Acabou a pilha? Não! Não! O ponteiro está funcionando perfeitamente, olha os segundos sendo marcados religiosamente”.
Olhou à sua volta, mas tudo estava tão anormal. Tão parado. Até parecia um...
Foi aí que percebeu o que realmente estava acontecendo, o problema não era o seu relógio, ou seu despertador.
Era domingo.

Então se sentiu tranqüilo, aliviado. Seu emprego estava garantido. Pelo menos até segunda feira.

Marc Souza