quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Onde estarão nossos verdadeiros heróis



Em todos os lugares do mundo encontramos histórias sobre seres fantásticos. Todo país, toda cidade por menor que seja possuem suas próprias lendas.
O cinema, aproveitando-se do fascínio que estes seres exercem imortalizaram alguns, criando grandes clássicos audiovisuais.
Vampiros, lobisomens e zumbis são os mais fascinantes e mais famosos destes seres.
Como não poderia deixar de ser, o Brasil também possui os seus. Saci, Mula sem cabeça, boto cor de roça, lobisomem, curupira, dentre outros vivem no imaginário popular. Já no cinema, o Brasil, possui o impagável, e não menos famoso Zé do Caixão, personagem conhecido mundialmente, criado por José Mojica Marins.
Esses seres aterrorizantes e ao mesmo tempo fascinantes ficam muito bem na imaginação humana, melhor ainda, para quem gosta é claro, quando ganham vida na tela de cinema.
No entanto, enquanto estes seres fazem-nos sentir um medo passageiro, seja nas histórias aterrorizantes passadas de geração a geração ou quando apresentados nas telas de cinemas que passam com um simples acender de luz, no Brasil, esta surgindo um monstro real, trazendo um medo permanente.
Enquanto nos cinemas vemos os vampiros correndo desesperadamente atrás de sangue, este monstro brasileiro ambiciona poder. Enquanto lobisomens buscam saciar seus instintos animais em busca de carne humana, estes fazem qualquer coisa por dinheiro. Enquanto os cérebros são os objetos de desejo dos zumbis, estes querem ser eternizados na cúpula estatal.
Este monstro brasileiro surgiu nos porões da ditadura em uma cidade paulista, todo vermelho, chegou ao poder tão somente para enriquecer a si e aos seus.
Estes monstros de vermelho, não estão nem aí para a vida humana. Matam cada dia, mais e mais pessoas, doentes nas filas dos hospitais. Matam de fome e sede famílias inteiras na região nordeste e aqui no sul. A falta de estrutura causada por seus desvios de dinheiro, tira a vida de milhares de pessoas a cada forte chuva, a cada feriado prolongado. Este monstro mata a cultura das pessoas investindo minimamente na educação, e ajuda a criminalidade nas leis de proteção aos bandidos e na falta de investimento nas carreiras ligadas a segurança pública.
Como os vampiros, são belos, cultos, demonstram bondade e a melhor das intenções quando querem aumentar os impostos, aumentar a arrecadação, quando conseguem, mostra a verdadeira face.
Estou muito assustado com este monstro, pois, no cinema temos os mocinhos para nos ajudar a vencer o mal, para salvar os mais fracos e destruir a maldade, quando não, nosso medo se dissipa após uma hora e meia, duas horas, pois a luz se acende e vimos que tudo não passou de um filme.
Agora, no mundo real, onde este monstro esta destruindo tudo o que encontra e se fortalecendo mais e mais, pois, nossos mocinhos estão usando o ditado: quando não conseguir vencer o seu inimigo, junte-se a ele, o que fazer?
Onde estarão os nossos salvadores?
O que fazer para destruir esses monstros?
A luz, eu já acendi!


Marc Souza (escritor)


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

OS VERDADEIROS DESCOBRIDORES DO BRASIL


Depois de muito pensar, creio, que cheguei a uma conclusão um tanto polêmica.
            Uma conclusão que põem em xeque os livros de história.
            Uma conclusão que muda por completo a nossa história.
            Que muda a história do nosso País.
            Depois de abalizados estudos, bem não tão abalizados assim. Cheguei a uma conclusão, na qual, os nossos mais conceituados historiadores jamais chegaram. Que desconhecem por completo.
            Depois de muitos neurônios serem fritados nesta cabeça oca que Deus me deu eu descobri que:
            "O Brasil não foi descoberto por Portugal".
            Não foram nossos irmãos portugueses os responsáveis pela colonização do nosso belíssimo país.
            Você pode não acreditar, mas, eu tenho provas de que a nossa história, esta muito mal contada pelos historiadores.
            Provas substanciais.
Provas irrefutáveis.
Vocês vão ver.
Como dizem por aí, contra provas não existem argumentos.
Então vou parar de encher linguiça, e falar logo a verdade.
            Revelar a verdadeira história do nosso país.
            Dar o devido crédito a quem realmente é de direito.
Fazer justiça!
            Depois, de anos de estudo, eu descobri toda a verdade sobre o descobrimento do Brasil.
            Vou contar.
            Agora!
            Olhe, se você não for forte o suficiente para aguentar a verdade, pare de ler este texto.
            Agora!
            Já!
            Depois não diga que não avisei.
            É a última chance.
            Pare de ler.
            Bem, se você continuou a ler este texto que vai mudar a história do nosso país.
            Que vai mudar os livros de história para sempre.
            Agora vai.
            Vou falar a verdade.
            Nada mais que a verdade.
            A pura verdade.
            "Não foram os portugueses quem descobriram e colonizaram o Brasil".
            Quem descobriu o Brasil
            Foram os...
            Foram os...
            Agora vai.
            Vou falar.
            Nada vai me calar.
            Quem descobriu foram os...
            ITALIANOS!
            Se você não acredita, vou provar.
            "OS ITALIANOS DESCOBRIRAM O BRASIL"
            Sabe como descobri isso?
            Querem uma prova, irrefutável.
            Então, vai lá.
            Sabem por que foram os italianos que descobriram o Brasil?

            "POR QUE AQUI, TUDO ACABA EM PIZZA"

Marc Souza

Este texto faz parte do livro: casos, Acasos e DEScasos de Marc Souza à venda no email:
marcsouz@yahoo.com.br, ou no site da editora APED


terça-feira, 26 de novembro de 2013

UNIDOS SOMOS MAIS



QUANDO NOS JUNTAMOS, SOMOS MAIS FORTES E PODEMOS FAZER COISAS MARAVILHOSAS.

ACESSEM O LINK ABAIXO E SE EMOCIONEM.

http://123-videos.fr/meilleure-piece-jamais-depensee/

A PROPOSTA



Ele estava louco.
Foi o que todo mundo pensou quando o barman chegou na mesa com aquela proposta. Proposta absurda por sinal.  A princípio todos se negaram a participar. Não iriam se aproveitar do pobre homem, que, com certeza não estava no seu juízo perfeito.
Mas, o barman insistiu. Insistiu. Insistiu, até que todos na mesa, não agüentassem mais e resolveram participar da aposta sugerida pelo barman.
- Deixe me ver se eu entendi – perguntou um – você vai jogar um copo contra aquele poste e ele não vai se quebrar.
- Exatamente – confirmou o barman.
- Você tem certeza disso? – perguntou outro – Você esta normal... Quero dizer você não está bêbado ou noiado? Você está sóbrio?
- Totalmente sóbrio – respondeu.
- Tudo bem, apostamos com você. Cenzinha de cada um de nós, contra cem seu, combinado?
- Combinado?
- Para que não reste dúvidas entre nós, você jogará este copo contra aquele poste e ele não se quebrará.
- Isso mesmo.
Colocaram as notas no meio da mesa.
O barman pegou o copo de vidro olhou diretamente no poste e lançou-o com toda a força. O choque do vidro contra o concreto do poste fez com que o copo se quebrasse em vários pedaços.
- Bem – começou um dos clientes – o que é combinado não é caro, não é verdade – vai pegando o dinheiro do centro da mesa, mas é interrompido pelo barman que toma o dinheiro dele.
- Com certeza – diz sorridente – dê uma olhada ali no poste e veja se ele quebrou.


Marc Souza

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

MENTIRINHA


Havia tido uma ótima noite.
            Saíra com uma garota maravilhosa, tendo retornado para sua casa somente pela manhã.
            Estava feliz, muito feliz.
            A felicidade era tamanha que se esquecera das horas.
            Estava amanhecendo.
            Chegando em casa, abriu a porta devagar, evitando ao máximo fazer barulho, afinal, se sua mãe o visse chegando àquela hora ele estava frito.     Por isso entrou e trancou a porta lentamente indo diretamente para seu quarto.
            Sentou na cama, fechou os olhos e pôs-se a lembrar dos bons momentos que vivera naquela noite.
            Então, sua mãe, passou pela porta do quarto e encontrando-a aberta entrou.
            Um gelo subiu pela espinha.
            - Ué, você chegou agora?
            Danou-se pensou ele, e agora? O que fazer? Se contasse a verdade, com certeza estaria perdido.
            - Não! – respondeu, tentando achar uma solução rápida – É que... – coçou a cabeça – É que... – tinha que ganhar tempo, não sabia o que dizer – Sabe mãe... - de repente, uma idéia – É que eu resolvi ir à missa hoje cedo. Por isso é que já estou de pé.
            A mãe mostrou-se satisfeita.
            - Que bom filho! Então é melhor se apressar, se não você vai perder a hora. – disse isso e saiu.
            - Pode ficar tranqüila, eu já estou indo – disse desanimado.
            Cansado, sonolento ele saiu e foi para a missa.
            Quando retornou o almoço já estava posto.
            Exausto, desculpou-se e, dizendo estar indisposto, não almoçou e foi dormir.
            Dormiu a tarde toda, acordando somente no inicio da noite, quando, comeu alguma coisa e voltou a dormir.

            A mãe nada disse, somente sorriu, pois, zelosa que era, sabia que o filho não dormira em casa na noite anterior, mas, estava satisfeita com a lição que ele recebera.

Marc Souza 

CRÔNICA DA SEMANA



Acessem o link e divirtam-se com a crônica da semana no Jornal da Cidade On Line

http://www.jornaldacidadeonline.com.br/leitura_artigo.aspx?art=6625

O HOMEM DOS SONHOS



Estava totalmente destruída. Deprimida. Tudo havia acabado para sempre. Descobrira que não tinha vocação para amar. Descobrira naquele dia que não tinha vocação para o amor. Não. Daquele dia em diante se dedicaria há outras coisas. Pastoral da Saúde. Pastoral da Juventude, bem não tinha mais idade para ser chamada de jovem, mas e daí. Ou melhor, iria fundar uma ONG para corações quebrados. Dilacerados. Destruídos por falta de amor.
Ah! Que pena! Que pena!
Dias atrás ela estava tão, mas tão feliz. Há dias atrás tinha a certeza que encontrara um príncipe encantado. O amor da sua vida O homem mais perfeito do mundo. E era só dela. Somente dela. Para sempre. Todo o sempre.
Há dias, havia ter tirado a sorte grande afinal, onde encontrar um homem que não gostasse de futebol. Não ia a bares. Não tinha amigos enchendo o saco o tempo todo. Gostasse de comédias e filmes românticos. Um homem que tinha tudo incomum com ela.
Definitivamente tudo.
Eram almas gêmeas. A tampa e a panela.
Eram felizes. E assim seriam por toda a vida.
Gostos iguais. Programas iguais. Não tinha nada que desse errado entre eles dois. Com certeza haviam nascido um para o outro.
Ah, que pena! Que pena, que tudo não foi um mar de flores. Que pena.
Agora ela esta destruída. Acabada. Dilacerada. Seu coração apanhava, não mais batia.
Eram iguais ele e ela. Ela e ele. Tinham muito em comum. Na verdade tinham tudo em comum.
Gostavam de novela. Filmes românticos. Comédias. Odiavam futebol. Não bebiam. Não fumavam. Gostavam de passar a tarde passeando na praia. De ver o por do sol. De teatro. Vôlei. Pilates. Ioga. Era perfeito, ou quase perfeito.
Afinal eram iguais, em tudo, foi aí que a coisa ficou feia. Foi aí que o bicho pegou, afinal, ela gostava de homem e ele também.

                                                                                 Marc Souza




domingo, 24 de novembro de 2013

DIÁLOGOS SOBRE...



            - É!
            - É!
            - E aí?
            - E aí?
            - Primeira vez?
            - É!
            - É minha primeira vez, também. Eu já estive em simulados, mas real mesmo, é a primeira vez.
            - Eu também já estive em simulados.
            - Você já morreu alguma vez?
            - Já... – diz cabisbaixo, triste. – E você?
            - Não... Nunca... Em todos os treinamentos dos quais participei sempre saí ileso, sem um arranhão sequer.
            - O último simulado do qual participei, pisei em uma mina. Falta de atenção. Eu estava muito nervoso, sabe.
            - Entendo... E agora?
            - Hã!
            - Quero dizer, e agora você esta melhor, mais tranqüilo?
            - Sim... Sim... Eu acho.
            Uma voz soa nos alto falantes.
            - Atenção! Pousaremos dentro de aproximadamente doze minutos! Apertem os cintos!
            - Você já matou alguém?
            - Não! Nunca! E você?
            - Também, não.
            - Olhe. – diz tirando do bolso uma fotografia – Minha esposa e minha filha. Não são lindas? Minha filha já tem dois anos, observe o tamanho dela, não é uma gracinha?
            - Sim, é uma gracinha, aliás, você tem uma bela família. Parabéns!
            - Obrigado!
            - Essa é minha esposa – ele também mostra uma fotografia – Ela esta grávida de três meses. Estou muito feliz, parece um sonho. Sabe, nem acredito que vou ser pai.
            - É a melhor coisa do mundo, acredite.
            - Queria voltar antes de o meu filho nascer. Gostaria muito de assistir ao parto. Ficar ao lado da minha esposa. Poder segurar sua mão e dizer que a amo. Que a amo muito. Sabe, seria a realização de um sonho.
            - É eu sei disso muito bem, sinto muito a falta delas, sabia.
            Silêncio.
            - O que você acha?
            - De que?
            - Dá... Você sabe... Acha que ganharemos?
            - Não!
            - Não?????
            - Não.
            - Por quê?
            - Por que, infelizmente, vivemos em uma situação, onde não há vencedores.
            - Mas nós estamos do lado do bem, e o bem sempre vence.
            - Eles, como nós, também acham que estão do lado do bem.
            - Mas?
            - Mas?
            - Deixa pra lá.
            Silêncio.
            - Eu não tinha pensado nisso.
            - No que?
            - Que eles são como nós. Que só estão em lados opostos... Meu Deus... E agora? Eu não posso fazer isso... Não posso.
            - Não pode o quê?
            - Não posso matar inocentes. Eu... Eu não posso matar um trabalhador.
            - São soldados... Como nós.
            - Eu sei... Suas famílias dependem deles como a nossa depende de nós.
            - Você tem razão, mas, infelizmente, estamos em uma guerra... Você sabe... E como nós, não foram eles, que idealizaram essa guerra, mas darão suas vidas por ela.
            - Meu Deus!!!
            - Como nós, eles receberão medalhas de bravura, in memorian, pois, muitos não voltarão mais para suas casas, para suas famílias, pois, perecerão, morrerão.
            - E seus filhos? Suas mulheres? Suas mães?
            - Chorarão, sofrerão como nossas esposas, nossos filhos e mães. O estado lhes dará uma pensão, reconhecimento pela bravura de seus parentes mortos em combate. Grandes soldados, dirão. Grandes soldados que morreram em combate, defendendo o nome da justiça, o nome de Deus.
            - Mas Deus não criou esta guerra.
            - Mas o homem, sim. E usa o nome de Deus em vão... Somos soldados, amigo e temos a obrigação de lutar para defender o nosso país, como eles, os soldados que hoje são nossos inimigos.
            - Mesmo que os nossos governantes sejam corruptos, egoístas, gananciosos. Mesmo que essa guerra seja feita em proveito dos mesmos.
            - Sim, temos que lutar, mesmo que os únicos beneficiados sejam eles próprios.
            Silêncio.
            - É injusto...
            - Não há justiça na guerra. Dentro de alguns minutos, nos tornaremos assassinos. Vamos usar tudo que aprendemos nas simulações, só que agora, é tudo verdade, as armas, as bombas e as pessoas.
            - (...)
            - Daqui a pouco, seremos responsáveis por massacres, estupros, destruição...
            - (...)
            - Tudo pela nossa pátria, pelo nosso país. Faremos uma guerra, em busca de paz. E quando esta paz chegar, os sobreviventes, muito deles, desejarão terem morrido em combate, para não carregarem na memória as cenas dessa guerra estúpida... Voltarão para suas famílias, mas, nunca mais se sentirão em paz, pois, as cicatrizes da guerra ficarão para sempre, guardadas em seus corações.
            - É!
            - É!
            - Atenção! Dois minutos para o pouso.
            - Sabe, queria ver minha filha crescer.
            - O que você acha que minha esposa terá? Menino ou menina?
            - Não sei.
            - Eu queria que fosse um menino. Doutor. Pensando melhor ele pode ser o que quiser. Se for menina também ficarei muito feliz. Sabe na verdade, tem que vim com saúde, o sexo, Deus escolhe, ele sim sabe o que faz, não é verdade?
            - É!
            - Tenho medo... Talvez eu nunca chegue a conhecê-lo...
            - Deixe disso.
            - O que será de meu filho, sem o pai? Se ele ficar revoltado, por não ter me conhecido? Se ele virar bandido? Se for menina, e se ela virar uma prostituta, drogada? Tudo por que foi criada sem o pai, que morreu numa guerra estúpida, criada por um governo estúpido, que só quer saber de dominar tudo e a todos. Se eu morrer, o que será de minha esposa? Heim? O que será dela?
            - Iniciando aterrissagem.
            Instantes.
            - É, amigo, quem se importa conosco?
            - Você tem razão, quem se importa?
            - Alguém se beneficiará com tudo isso, e não seremos nós, nós só temos o que perder, e quer saber, perderemos, mesmo se sobrevivermos... Mesmo se sobrevivermos.
            - Foi um prazer conhece-lo... Amigo...
            - Que Deus esteja conosco!
            - Amém!!!

Marc Souza

sábado, 23 de novembro de 2013


POLITICOS E POLÍTICA


            Em uma sala, de um certo presidente de um certo partido político.
            - Senhor, nós não podemos votar a favor deste projeto de Lei, afinal, isso vai contra tudo que o nosso partido e, principalmente, nossos eleitores, acredita.
            - Não me venha com esta estória, afinal, tudo muda, as idéias mudam, o mundo muda, portanto, mudamos.
            - Mas senhor, e os nossos eleitores?
            - Isso é o que menos importa, ou você acha que eles sequer se lembram o que defendemos e o que fomos contra na época da eleição.
            - E nós. Nós nos lembramos, ou não?
            - Só lembre-se de uma coisa, certo, nunca se esqueça do que vou dizer agora. É só política, e em política, quem se importa com o que os eleitores vão falar, afinal, eles logo se esquecerão, e votarão em nós novamente. A memória do povo é curta. Temos que pensar no bem do nosso partido. Esse projeto de Lei vai trazer muitos benefícios a nós.
            - Mas, e o povo, a opinião pública é totalmente contra, sem falar que este projeto beneficiará uma parcela ínfima da sociedade.
            - A parcela que financia nossas campanhas, não é verdade? Isso é o que importa, o partido, a próxima campanha que está chegando.
            - E o povo? O povo que nos elegeu, que acreditou em nós, em nossos projetos.
            - Não esquenta com isso, o povo, nada mais é do que o mal necessário, meia dúzia de palavras bonitas, uma doação de remédios aqui, outra ali, um passe para viagem acolá, algumas cestas básicas, e, você sabe né, votos e mais votos. Com os nossos financiadores a coisa já é mais difícil, eles querem resultados e benefícios e é por isso que nos ajudam, que nos financiam, isso é o que importa, nunca se esqueça disso, sem eles não estaríamos aqui, os votos que tivemos do povo, foi reflexo do que demos para o povo na época de eleição, com o dinheiro dos nossos contribuintes, dos nossos amigos geradores de renda, então, você já sabe, melhor o povo ficar contra nós, o que passará rápido, do que eles, que com certeza não se esquecerão e não serão mais nossos colaboradores.

            - Então? O que o Senhor achou? Belíssimo projeto, não? Estou muito empolgado com este projeto, afinal, ele é perfeito. Note que, através dele poderemos erradicar a pobreza no país, sem contar que, com ele poderemos avançar de forma impressionante em todas as áreas produtivas do país, e, principalmente na área social. Sem dúvida alguma é o melhor projeto que nosso país jamais viu. É um marco na nossa política.
            - Calma muita calma meu filho. Sem dúvida este projeto é muito bom, não há dúvidas do bem que o mesmo possa causar ao nosso país, no entanto, ainda é muito cedo para qualquer comemoração. Ainda é cedo para nos empolgarmos, afinal, essa papelada toda não passa de um “projeto”, não é mesmo? Talvez nem seja aprovado.
            - Como assim? Como talvez não seja aprovado? Ele é perfeito! O único defeito dele, que na verdade não é um defeito, e sim uma pontinha de inveja de minha parte, é que, este projeto não foi elaborado pelo nosso partido.
            - Então, é aí que eu queria chegar, o fato deste projeto não ter sido elaborado por nós é o maior empecilho para que possamos aprova-lo.
            - Como assim? Não entendo o que o senhor esta querendo dizer?
            - Meu filho! Pense bem! O projeto não é só bom, é ótimo.
            - Então?
            - Entenda uma coisa, garoto, se este projeto for aprovado, pode ser o nosso fim. O partido que o elaborou, vai, com certeza, ficar em evidência, e isso é muito ruim para nós. Com o partido em evidência, eles terão muita força nas próximas eleições, podendo eleger até um presidente, e isso com certeza não é nada bom para nós. Não é mesmo? Eles poderão ter todo o poder para governar o nosso país, por isso...
            - Por isso?
            - Por isso seremos totalmente contrários a aprovação deste projeto. Faremos lobby para que o mesmo nem vá ao congresso para ser votado.
            - Mas por quê?
            - Pense bem, você não esta contente com toda essa mordomia que tem financiada pelo dinheiro público, com esse belo salário, e, o principal tudo isso em troca de, somente, três dias de trabalho. E não estou contando com as gordas comissões que recebemos por baixo do pano. Pense nisso. Você esta contente ou não?
            - Claro que estou contente, mas não podemos...
            - Então, temos que ser contra esse projeto, temos que trabalhar incansavelmente para que ele não seja aprovado, temos que usar toda a nossa influência, senão, babal, adeus mordomias, adeus dinheiro fácil, adeus reeleição, fim, acabou a moleza. Não temos tempo a perder, portanto, trate de começar a trabalhar contra esse projeto.
            - Mas, isso seria uma traição ao povo que nos elegeu, que espera ansiosamente que solucionemos seus problemas, que necessita urgentemente de uma solução aos seus problemas, que nesse momento podem estar morrendo de fome de sede ou de qualquer tipo de doença, que não conseguem tratar por negligência médica. Para esse povo que merece uma vida melhor. Isso seria uma traição ao nosso país, ao nosso povo.
            - Dane-se o povo, prefiro trair o povo, do que o meu bolso, antes eles passarem dificuldades do que eu, não é mesmo. Você é muito novo, então, vou lhe dar um conselho, quer fazer o bem a alguém vá trabalhar voluntariamente em alguma ONG. Somos político, filho, não assistentes sociais.


            - Filho de uma mãe. Não acredito que ele fez isso. Desviando tanto dinheiro assim, é lógico que estaria podre de rico, não é verdade? Agora essa CPI vai acabar com ele, acabar com a carreira dela. Ele bem que merece isso. Filho  de uma puta, e pensar que eu subi em palanque com ele. Ainda bem que a memória do povo é curta, senão, eu também tava ferrado.
            - É por essas, e outras situações que temos, que começar a trabalhar, urgentemente, afinal não temos tempo a perder, devemos convocar os partidários agora, todos, sem exceção, não podemos deixar que esta CPI aconteça.
            - O que? Como assim? O cara é um bandido, roubou milhões dos cofres públicos.
            - Opa, opa. Calma aí.
            - Calma aí, por quê? As provas são claras não há dúvidas de que o filho da mãe desviou milhões de reais para si. È questão de justiça que ele pague pelo crime que cometeu.
            - Justiça. Que justiça que nada. Coloque uma coisa na sua cabeça, não há justiça, aqui a justiça não existe. Não se esqueça de uma coisa garoto, o mundo não é justo, a vida não é justa. Nunca foi, nem nunca vai ser. Você sabe o que é Utopia, é esse papo de justiça. Aqui, nós fazemos política. E é o que começaremos a fazer agora mesmo.
            - Como assim?
            - Ele é um grande aliado nosso, sempre, foi, agora precisa da gente, e vamos ajudá-lo. Afinal, com certeza, livrando-o dessas acusações e dessa CPI, receberemos muitas benesses, se é que você me entende.
            - Mas...
            - Não venha com esse discurso, não temos tempo a perder, temos uma CPI a evitar.
            - Não acredito, o cara roubou dinheiro público, dinheiro que ajudaria, e muito, as classes mais carentes do nosso país, temos, como representantes eleitos pelo povo, o dever de defender este dinheiro, que é deles por direito, não de proteger este vagabundo...
            - Temos, é a obrigação de defendermos e ajudarmos os nossos amigos e aliados. Dane-se de onde vem e para  aonde ia o dinheiro, se ele não roubasse, outra pessoa roubaria, e poderia ser pior, algum inimigo político nosso, aí sim a coisa ficaria feia, como poderíamos tirar proveito desta situação, heim, se outra pessoa é que tivesse tido a idéia de desviar aquele dinheiro. O que temos que fazer agora, é, urgentemente, barrar esta CPI, e aproveitarmos a situação para tirar proveito de tudo o que esta acontecendo, principalmente, financeiramente, entendeu, esta é uma ótima oportunidade para tirarmos vantagens, gordas vantagens, entendeu.
            - Não acredito que vamos fazer isso.
            - Pode acreditar, afinal, temos que pensar no futuro, o povo é besta, idiota mesmo, não vão se lembrar de que trabalhamos contra esta CPI, e se lembrarem, e por um acaso, não formos eleitos, esta situação nos trará um grande pé de meia, o suficiente para ficarmos quatro anos de férias, e voltarmos com a corda toda quando ninguém mais se lembrar do caso, portanto, vamos trabalhar.


Marc Souza

PROMESSA É DIVIDA, E ÀS VEZES, ALTA, MUITO, ALTA.


- Definitivamente não acredito que estou fazendo isso!
- Por quê? O que há de mal no que você esta fazendo?
- Você sabe muito bem! Sabe de uma coisa? Eu desisto! Vamos embora e desistir dessa loucura, imediatamente.
- De jeito algum! Você prometeu, agora vai ter que cumprir.
- Mas...
- Não tem, nem mais, nem menos, promessa é dívida, agora não dá pra desistir mais, você prometeu.
- Mas, é que... É que...
- Você não é homem não?
- Claro que sou, o problema é que eu não acredito que esta seja uma boa idéia, já tentamos fazer isso antes, e...
- E?
- E não deu certo. Você sabe disso. Tão bem quanto eu.
- Bobagem!
- Vamos desistir? Heim? Vamos deixar isso pra lá? Sabe, esquecer essa idéia, maluca por sinal.
- Não!
- Ainda dá tempo. Vamos embora, antes que a situação fique irreversível. Vamos sair daqui de mansinho, antes que alguém perceba nossa presença.
- Não!
- Vamos lá... Por favor! Ninguém, nos viu, vamos embora, e acabou, entendeu, a gente enterra essa estória toda.
- Já disse que não.
- Então ta. Depois não diz que eu não avisei, ta legal. A responsabilidade é sua, ok? Toda sua.
- Para. Para. Já estou cansada das suas reclamações. Ta louco. Pra mim promessa é dívida, portanto, já que você prometeu, vai ter que cumprir, eu estou cobrando agora, ta legal? Agora!
- Mas, você tem certeza, que, que, quer fazer isso?
- Tenho!
- Você tem certeza mesmo? Olha, é a ultima oportunidade que lhe dou para que você mude de idéia, daqui a pouco, não da mais para voltar atrás, daqui a pouco estaremos entrando num caminho sem volta. Entendeu? Sem volta.
- Eu já disse...
- Pense bem, pense muito bem, daqui a pouco não poderemos mais, voltar atrás, e ai, tudo pode mudar, para pior, é claro. Pense bem, você realmente quer continuar, ou prefere, como eu, desistir dessa idéia estúpida. Você tem cinco minutos, não mais que isso, afinal...
- Não precisa.
- O que?
- Eu não preciso desses cinco minutos, para pensar, eu sei muito bem o que quero. Desista! Você não vai conseguir me persuadir, já estou decidida, e, não tem mais volta, então, por favor, pare de gastar seu português para me fazer mudar de idéia, não vai adiantar, entendeu? Não vai adiantar.
- Olha são cinco minutos, você pode refletir muito bem, e depois...
- Eu já disse.
- Olha, não custa nada, você pensar esses cinco minutinhos, além do mais, como diz aquele ditado, cinco minutinhos cinco minutinhos a menos. Não vai fazer diferença alguma, não é verdade? Portanto, por que desperdiçar esse tempo tão precioso. Tempo este que poderá mudar toda a nossa estória, não é verdade?
- Eu não agüento mais. Para! Por favor! Para!
- Então... Então ta! Já que... Já que, você tem certeza, vamos lá. Vamos fazer. Posso te pedir algo então?
- Hã???
- Você poderia esperar um pouco.
- Não estou entendendo?
- Esperar um pouco... Só um pouquinho... Um tantinho assim... Sabe o que é... É que...
- Para de enrolar, e vamos logo.
- Ta, ta, mas não dá mesmo pra esperar, é só um instantinho, para eu tomar coragem, sabe.
- Eu não agüento mais você tentar me enrolar, eu vou fazer, e é agora, agorinha mesmo. Nada de esperar, entendeu? Nada de esperar.
- Ta bom, ta bom, então, aperta logo esta droga de campainha.
A porta é aberta.
- Oi filha – abraços - que bom que você veio, estava morrendo de saudades.
- Olá mamãe, tudo bem com a senhora, também estava com saudades.
- Olá... Sogrinha...
- Comigo estava bem, pelo menos até você trazer para cá este traste, você tinha mesmo que trazer, essa... Essa, coisa para cá.
- Mamãe, eu já disse para a senhora, ele é meu marido, e apesar de tudo, eu amo ele, a senhora tem que entender, e aprender a amá-lo também.
- Não disse que não ia dar certo?
- Por que você não fica quieto, seu bundão. Nem pensar filha, só você mesmo para amar um traste como esse aí. O seu inútil, feche a porta aí, e não vai ligando a TV para assistir futebol não heim, eu odeio futebol, odeio você também, mas amo minha filha, por isso te tolero, então, não folga não heim, não folga não.
- Depois, não vai dizer que eu não disse nada.
- E não fica resmungando não.
- Mamãe!!!!


Marc Souza


terça-feira, 19 de novembro de 2013

CORAÇÃO


O que realmente vale nesta vida


Ele tinha tudo mesmo assim, era um poço de problemas, e, pela quinta vez seguida, fora preso, desta vez, por destruir um veículo que estava estacionado na rua.
Após exames, nada foi constatado, ele não estava bêbado, não estava drogado, tampouco, fora de si.
Estava normal. Calmo. Tranqüilo.
Sentado em uma poltrona da delegacia de policia esperava seu pai, que rapidamente, chegou, acompanhado de um advogado, pagou a fiança e saiu, sem dar-lhe qualquer tipo de atenção, afinal estava com pressa.
Com a situação já resolvida ele sai da delegacia, entra no seu carro importado, e sai pelas ruas da cidade, tranquilamente, não sai em alta velocidade, não canta os pneus, sai do local devagar.
No caminho de volta para casa, pensa no que fez se arrepende, e chora, chora muito, pois, novamente, não conseguiu o que queria.
Todos pensam que ele é só traz problemas, que só causa transtorno para todos a sua volta, não tem amigos, não tem namorada. Vive só.
Os conhecidos lhe acusam de não dar valor ao que tem.
A sua boa vida, a sua boa família ao muito dinheiro que tem.
Ele é de uma família muito influente na sociedade, seu pai, é um grande advogado, que tem clientes no país inteiro e representa grandes empresas multinacionais.
Sua mãe, dona de uma rede de botiques caras, que têm filiais em todo país.
Ambos, muito importantes.
Ambos muito influentes, considerados esteios da sociedade.
No entanto, nada disso importa a ele, dinheiro e poder, para ele, nada disso tem importância, nada disso tem sentido.
Tudo o que ele faz, todas as confusões em que se mete, tem como intuito único a de chamar a atenção de seus pais.
Pais que deram a ele tudo o que dinheiro pode comprar.
Pais que o educaram na melhor escola da cidade, que lhe deram a melhor faculdade.
Pais que lhe deram um carro zero quilometro quando completou dezoito anos, e um apartamento aos vinte e um.
Esses mesmos pais que nunca lhe deram atenção, carinho, amor.
Foi criado pela governanta.
Seus pais, sempre estiveram ausentes, cuidando dos negócios da família, nunca lhe deram um abraço, um beijo.
Não se lembra quantos aniversários, passou só.
Quantas vezes teve vontade de conversar com sua mãe, mas ela não estava.
Quantas dúvidas tinha acerca da vida sexual que estava se iniciando, e que, não teve seu pai para sana-las, para conversar.
Ele teve tudo, mas não teve nada.
Agora, com certa frequencia, começou a se meter em confusões, brigas, desentendimentos.
Tudo para chamar a atenção.
Mas, em vão.
Nunca bebeu, nem fumou, tampouco usou drogas, sempre quis ser um filho exemplar, e fez tudo pára que fosse aceito pelos pais, reconhecidos por eles, no entanto, nunca teve a atenção que tanto ansiava ter.
Eles sempre estavam ocupados demais.
Não tinham tempo.
Agora após entrar em nova confusão, não conseguiu o que queria, seu pai chegou à delegacia e saiu rapidamente sem ao menos trocar uma palavra com ele.
Sua mãe sequer ligou-lhe.
Então, ele chora, chora muito, sente um forte dor no seu peito, queria dizer aos pais que os amava, abraça-los beija-los, por uma vez sequer.
Queria sentir-se em uma verdadeira família.
Mas os compromissos, o trabalho, o dinheiro, eram um verdadeiro entrave para seus desejos.
Ele toma uma decisão.
De repente, pára o carro, próximo a uma ribanceira.
Ao descer do carro, caminha até o local observando a profundidade.
Tira a roupa ficando apenas de shorts, joga a roupa dentro do carro, liga-o, coloca uma pedra no acelerador e outra na embreagem, engata o carro que esta bem acelerado, então, saindo do carro, retira rapidamente a pedra que esta na embreagem fazendo com que o mesmo, arranque e caia ribanceira a baixo.
Enquanto o carro cai, ele caminha lentamente pela rodovia, esboçando um ar de felicidade.
Parece que tirou um peso das costas, sente-se feliz, muito feliz.
Horas depois, o carro fora encontrado, totalmente destruído.
Ele nunca mais foi visto, alguns acreditam que, após a queda ele ficou muito machucado e ao tentar pedir ajuda veio a morrer no interior da floresta que havia nos pés da ribanceira, ou até, que fora devorado por algum animal.
Ao saber do acidente seu pai sofreu um enfarto, vindo a morrer horas depois.
Sua mãe, dias depois, foi internada em um hospício, com depressão profunda, pois, após o acidente sentiu-se culpada, e arrependida por nunca ter dito ao filho o quando o amava, hoje, vive com uma criança no colo, vinte e quatro horas por dia, abraça-a e a beija, a todo instante, dizendo a mesma que a ama.
Quanto a ele, hoje é casado, pai de dois filhos, vive em uma favela localizada em uma cidadela do interior, para viver, trabalha como pedreiro, não tem dinheiro, não tem luxo, não tem poder, mas tem algo, que o faz muito feliz e realizado que é o amor de sua esposa e de seus filhos.


Marc Souza

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

ORGULHO E PRECONCEITO

         

Pardal era uma pessoa muito feia, aliás, dizer que ele era feio era um elogio, dos grandes. Da sua turma, era o único que nunca namorara. Apesar dos seus vinte e três anos ele ainda era virgem.
            Já Helena era linda. Maravilhosa! A mulher mais bonita da cidade. A mais cobiçada. A mais desejada.
            Pardal como dito, não namorava ninguém.
            Helena namorava Elivelton, que, namorava a cidade toda.
            Helena amava Elivelton, que, não estava nem aí para Helena.
            O amor de Helena a cegava, as amigas diziam a todo o momento quem realmente era Elivelton, mas, para Helena, elas mentiam para Helena elas tinham inveja dela, afinal, quem naquela cidade não queria namorar Elivelton, rapaz, rico, bonito, simpático e outros adjetivos mais.
            Não havia amor maior no mundo que o de Helena para Elivelton.
            Apesar da reprovação por parte das amigas, foi marcado o casamento de ambos, a indignação tomou conta de todas, aliás, a indignação tomou conta de toda a cidade, que, pequena, todos sabiam das escapadelas de Elivelton.
            Dias antes do casamento houve um baile na cidade.
            Todos estavam lá, inclusive Pardal e seus amigos, inclusive Helena e Elivelton.
            Bem, a cidade inteira estava lá.
            Era o acontecimento do ano.
            De repente Elivelton some, Helena sai à sua procura pelo salão encontrando-o aos beijos com Ester.
            A raiva toma conta de si, que saí do salão chorando, Elivelton nada faz, continua com Ester, agindo como se nada tivesse acontecido.
            Pardal caminha lentamente pelas ruas mal iluminadas da cidade, está sozinho, a solidão o persegue e já está conformado com isso, pois, toda noite é assim, saí com os amigos e no final da noite, quando seus amigos se ajeitam com uma ou outra garota ele volta para casa só.
            Ao longe Pardal observa um vulto que vem em sua direção a má iluminação dificulta sua visão por isso ele não consegue precisar que é, um súbito frio lhe sobe a espinha, mas, ao se aproximar do vulto nota que é Helena.
            Pardal conhecia Helena, no entanto nunca havia conversado com ela, estudaram juntos, freqüentavam os mesmos locais, no entanto, nunca trocaram uma palavra sequer.
            Helena era uma conhecida, desconhecida.
            Bem próximo a Helena, Pardal nota que ela chora então tímido, diz:
            - Desculpe Helena, mas, aconteceu algo?
            Helena pára, olha para ele e chorando o abraça.
            Helena chora copiosamente, Pardal, sem saber o que dizer fica em silêncio.
            Depois do primeiro contato, passam a noite inteira conversando, se lamentando, a mulher mais bonita da cidade com o homem mais feio, mas, nessa noite, eram duas pessoas que, cada um a sua maneira, sofria.
            Dias depois, começaram a namorar.
            O namoro, caiu como uma bomba na pequena cidade.
            “Afinal o que Helena poderia querer com Pardal?”
            “Só podia ser se vingar de Elivelton.”
            “Só podia ser despeito.”
            De repente, o namoro dos dois se transformou em indignação.
            A cidade inteira ficou indignada com a atitude de Helena.
            “Usar o Pardal desta maneira” - diziam. “Só pode ser coisa de mau caráter”.
            Ela começou a chegar xingada, a principio veladamente, depois, passaram a evitá-la.
            “Vagabunda”. “Ordinária” - diziam sobre ela.
            Mas, o novo casal não estava nem aí, os dias se passavam e eles a cada dia se mostravam mais apaixonados e felizes.
            Os dias se passavam e a cidade toda estava esperando pelo fim do relacionamento, ou como muitos diziam, a pouca vergonha orquestrada por Helena.
            Uma nova noticia sobre o namoro de Helena e Pardal, surgiu e, pois fogo na cidade, Pardal e Helena marcaram a data do casamento.
A população saiu na rua, todos estavam mais que indignados. “Coitado do Pardal, ele não merece tudo isso” - diziam.
Xingos, ofensas e até agressões sofreu Helena pela população, mas, Pardal a defendia apaixonado.
“Tadinho”. “Que ingenuidade” - pensavam.
Tentaram de todas as formas demovê-lo da idéia do casamento, não entanto não conseguiram, Pardal estava perdidamente apaixonado.
Quanto mais se aproximava a data do casamento mais a população se excitava e se preocupava com Pardal.
“Tadinho, levar um fora logo no dia do casamento”.
“Também, será que ele não se enxerga, não vê que ela é muita areia para o caminhão dele”.
“Vai sofrer, mas também, se ele procurasse alguém igual a ele”.
Helena e Pardal se casaram.
A população não os deixava em paz, em todos os cantos da cidade eram o assunto principal.
“Tadinho casou com a bonitona agora vai ser corno o resto da vida”.
“Tadinho nada, quem mandou ele casar com ela”.
“Isso mesmo, não vai dar pra ele reclamar, afinal foi avisado”.
“Uma mulher daquela casada com estrupício daquele, que desperdício”.
Pardal não foi corno, teve sim quatro filhos, três meninas e dois meninos.
Ele e Helena viveram anos e anos juntos e aos poucos a população foi se esquecendo, mudando de opinião, começando assim, a elogiá-los.
Elogiá-los pelos exemplos que davam a sociedade, de casal sério, honesto, comprometido, bons pais, bons esposos, boas pessoas.
Um casal feliz, que lutou e venceu preconceitos, um casal que se pode dizer, foi feliz para sempre.


Marc Souza

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