segunda-feira, 13 de junho de 2016

Fenômeno literário, Jojo Moyes já vendeu mais de 8 milhões de livros

Rodrigo Casarin

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Jojo Moyes, Meet the Author
Jojo Moyes: é esse o nome de um dos mais recentes fenômenos da literatura mundial. A inglesa de 46 anos já vendeu mais de oito milhões de livros em todo o mundo – 800 mil apenas no Brasil – e a adaptação cinematográfica de seu best-seller “Como Eu Era Antes de Você”, publicado em 2012, estreia nas telonas do país no final de junho com Emilia Clarke e Sam Claflin no elenco. Além da obra que está prestes a virar filme, “Depois de Você”, a continuação de “Como Eu Era Antes de Você”, vem aparecendo nas listas dos mais vendidos do país, o que apenas comprova sua popularidade por aqui.
como eu era antes de voceEm “Como Eu Era Antes de Você”, Jojo narra a história de Lou, uma garota de 26 anos que mora com os pais, a irmã, um sobrinho pequeno e um avô com problemas de saúde. Leva um namoro insosso com um personal trainner e trabalha em um café que lhe paga mal. Sua vida, contudo, muda quando é despedida desse emprego. Precisando ajudar em casa, passa a cuidar de Will, um homem rico, inteligente e tetraplégico de 35 anos que vive sobre uma cadeira de rodas e só sai de casa para ir ao médico. Mal-humorado, tem tendências suicidas, mas ao conhecer a nova cuidadora sua história também toma outro rumo.
“Jojo Moyes tem a habilidade de combinar histórias românticas com tramas bem construídas, personagens cativantes e boas doses de humor e leveza, e com isso consegue um público fiel, que não se restringe a ler apenas um de seus livros, mas que quer conhecer toda sua obra. Costumo dizer que é uma autora que respeita a inteligência do leitor. Seus livros têm tramas elaboradas, personagens complexos e desfechos que fogem do óbvio. Além disso, ela tem um talento fantástico para contar histórias da perspectiva de garotas comuns. Então, ainda que à primeira vista a história pareça muito distante da realidade de quem está lendo, é impossível não se identificar – e torcer – pelos nosso personagens preferidos”, diz Mariana Rimoli, editora da Intrínseca, casa que publica Jojo no Brasil.
É comum que pelo tom das obras e pelas características dos personagens, que muitas vezes não se encaixam em uma suposta perfeição, encontremos Jojo sendo comparada a nomes como John Green e Nicholas Sparks. A editora, no entanto, enxerga poucas semelhanças entre a inglesa e esses seus dois colegas. “Acho que essa comparação vem do fato de serem três autores que ficaram conhecidos por livros que causam muitas lágrimas, não? Tirando isso, acho que cada autor tem suas características próprias”.
Jojo segundo uma fã
Por conta do sucesso de Jojo e da proximidade do lançamento de “Como Eu Era Antes de Você” nos cinemas, a Intrínseca organizou há alguns dias um encontro entre fãs da escritora em uma livraria no Rio de Janeiro. Cerca de 60 pessoas – principalmente mulheres entre 20 e 40 anos – foram ao evento para conversar não apenas sobre o trabalho que está indo para as telonas, mas também a respeito de outros livros da autora – são 13 no total -, como “A Garota que Você Deixou Para Trás”, “Baía da Esperança” e “Em Busca de Abrigo”, que marcou sua estreia em 2002 – antes disso Jojo atuava como jornalista.
Andressa Leal, fã de Jojo Moyes.
Andressa Leal, fã de Jojo Moyes.
Quem comandou o papo foi Andressa Leal, jovem de 23 anos que define sua relação com a autora como “amor à primeira vista”. “Quando li o primeiro livro dela eu não fazia ideia do que iria encontrar e até hoje ela me surpreende. Mesmo quando a premissa do livro sai da minha zona de conforto ou quanto eu acho que ela irá me decepcionar, a Jojo Moyes consegue me cativar de alguma forma. Ou seja, é só amor”, diz a garota cuja obra preferida é “A Última Carta de Amor” – “essa história tem um equilíbrio perfeito entre drama e romance”, argumenta.
Ao falar de quais características aprecia no trabalho de Jojo, Andressa cita, por exemplo, a maneira que a autora constrói os personagens. “Eles são críveis, falhos e totalmente humanos. Isso permite que o leitor se identifique com eles de forma integral ou através de alguma situação vivenciada ou atitude específica”. No entanto, o que gosta mesmo é da mensagem que a inglesa transmite com seus livros. “Sempre há algo de superação em suas histórias sem que pareça clichê ou irreal. Porque a vida é assim, todos temos obstáculos que precisam ser vencidos e essa é uma forma inteligente, e até sutil, da autora de incentivar seus leitores a seguirem em frente”.
A fã também se mostra apreensiva ao falar sobre a transposição de “Como Eu Era Antes de Você” para o cinema. “Adaptações são sempre um momento de tensão para qualquer leitor. Pelo pouco que os trailers mostraram, percebi que os atores captaram bem a essência dos personagens e que o roteiro parece ser fiel ao livro, então a expectativa está alta. Ainda assim, estou muito ansiosa para ver o resultado final”, diz. E faz uma aposta alta: “Acredito que esse filme partirá mais corações do que 'A Culpa é Das Estrelas', então é bom estar preparado”.
Veja um trecho de “Como Eu Era Antes de Você”:
“Quando ele sai do banheiro, ela está acordada, recostada nos travesseiros e folheando os prospectos de viagem que estavam ao lado da cama. Usa uma camiseta dele e seu cabelo comprido está despenteado de uma maneira que o faz lembrar da noite anterior. Ele fica parado, desfrutando da breve recordação enquanto enxuga seu próprio cabelo com uma toalha.
Ela levanta os olhos do prospecto e faz um beicinho. É um pouco velha para isso, mas eles estão juntos há pouco tempo e ainda é bonitinho.
– A gente precisa mesmo fazer algo que envolva escalar montanhas ou se pendurar em ribanceiras? É a primeira vez que vamos tirar férias juntos para valer e não há uma única viagem nesses folhetos que não envolva se atirar de algum lugar ou – ela finge tiritar de frio – usar casacos de fleece.
Ela joga os folhetos na cama e estica os braços bronzeados acima da cabeça. A voz está rouca, prova de que dormiram pouco.
– Que tal um spa de luxo em Bali? Poderíamos ficar deitados na areia… passar horas sendo paparicados… ter longas noites relaxantes…
– Não posso ter esse tipo de férias. Preciso de atividade…''

Academia Brasileira de Letras lança novo Prêmio Machado de Assis

  • Alexandre Moreira/Divulgação
    Os imortais Nélida Piñon (foto) e Domício Proença Filho anunciaram o novo prêmio
    Os imortais Nélida Piñon (foto) e Domício Proença Filho anunciaram o novo prêmio
A Academia Brasileira de Letras (ABL) apresentou hoje (9) o novo formato do Prêmio Machado de Assis que, a partir deste ano, vai homenagear grandes nomes da literatura brasileira e de outras áreas das ciências humanas, alternadamente. O modelo foi divulgado pelo presidente da casa, Domício Proença Filho, e pela secretária-geral da ABL, Nélida Piñon.
Segundo Proença, o formato unificou os prêmios antes dados por estilos literários e privilegia o reconhecimento do conjunto da obra de um escritor brasileiro vivo. A ideia é dar representatividade e seriedade ao prêmio, acrescentou.
A mudança na estrutura ganha uma significação maior, no seu entendimento. "A intenção dos prêmios da Academia sempre foi de reconhecimento, nunca de estímulo a novos escritores. Antes não era pelo conjunto, era para uma obra em cada estilo literário, mas incidia sobre o autor de uma obra já reconhecida", ressaltou.
No modelo anterior, eram premiados os segmentos de poesia, ficção, ensaio e literatura infanto-juvenil, com o valor de R$ 50 mil cada, além do Grande Prêmio Machado de Assis, no valor de R$ 100 mil, para o conjunto da obra. O prêmio agora passa a ser único, no valor de R$ 300 mil – o maior para o setor literário no pais.
Nélida ressalta que, com o modelo de prêmios segmentados ou com colocações, dificilmente os escritores contemplados recebem o devido reconhecimento da sociedade. Mas com a concentração em um grande prêmio, o autor vai receber todos os "holofotes" que merece.
"Retomamos a consagração do conjunto da obra. Um autor é um patrimônio nacional e, no Brasil, nós estamos muito abandonados", disse Nélida. Ela acredita que o grande prêmio vai chamar a atenção para o ganhador, que pode estar escondido nos grotões do país, e vai ganhar R$ 300 mil e a atenção da imprensa. "Prêmios com primeiro, segundo e terceiro [lugares] ninguém guardava todos os nomes, e os segmentados também não. Agora é um grande vencedor, que vai ganhar todos os holofotes", enfatiza.
Para ela, com essa ação, a ABL assume um papel que seria do governo brasileiro, de atuar como Instituto Machado de Assis, nos moldes do português Instituto Camões e do espanhol Instituto Cervantes, de difundir a língua e a cultura do país. "Nós não tínhamos isso, éramos muito órfãos, agora é a academia atuando como Instituto Machado de Assis, é muito bonito".
Os 40 acadêmicos farão suas indicações no dia 19 de junho, até três por imortal, sendo vedada a indicação dos próprios acadêmicos ou seus parentes. Em seguida, a diretoria da casa analisará as indicações e os três nomes mais citados serão levados ao plenário da casa para votação.  A cerimônia de premiação será no dia 20 de julho, na comemoração  dos 119 anos de fundação da academia.

Por que JK Rowling não consegue superar Harry Potter e deixar os holofotes?

Rodrigo Casarin
 
rowling
Em 2007 JK Rowling lançou “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, sétimo livro e, conforme então prometido, o final da saga de seu célebre bruxo. No entanto, o que vimos nos anos seguintes foi que a autora jamais colocou, de fato, um ponto final na obra. Isso apenas se confirma agora, com a chegada da história ao teatro.
Na peça “Harry Potter and the Cursed Child'' (Harry Potter e a Criança Amaldiçoada), que pré-estreou ontem em Londres e cujo roteiro virará livro, a história se passa 19 anos depois daquele que seria o último episódio da saga e nos apresenta o problemático Albus, filho mais novo de Potter, que, por sua vez, tornou-se um funcionário do Ministério da Magia.
A nova narrativa é apenas mais um episódio da série de intervenções que Rowling fez na história mesmo após dá-la por encerrada com “Harry Potter e as Relíquias da Morte”. Debruçando-se sobre o universo do bruxo, ficcionalizou sobre o passado dos Estados Unidos – e foi criticada pela maneira que tratou os índios. Inventou, em fevereiro deste ano, que além de Hogwarts existem outras onze escolas de magia espalhadas pelo mundo – sendo uma delas no Brasil. Por meio do site Pottermore, também já criou textos que falam sobre o passado de alguns personagens, como Dolores Umbridge. E o hábito não é de hoje: em 2007 mesmo, logo após a publicação do sétimo livro da saga, Rowling disse que Alvo Dumbledore, um dos principais magos da história, era homossexual, algo que não escreveu em parte alguma dos livros. Isso apenas para ficarmos em alguns exemplos.
Não bastasse acrescentar detalhes e interpretações à saga de Potter – cujos livros em português somam 3224 páginas, espaço suficiente para se desenvolver todos os aspectos desejáveis da narrativa -, ocasionalmente a autora também emite opiniões sobre seu próprio trabalho ou a respeito de temas que pouco lhe dizem respeito. Foi assim no final do ano passado, quando revelou que seu trecho preferido de autoria própria estava no capítulo 34 de “Harry Potter e as Relíquias da Morte''. Foi assim em maio recente, quando, em seu Twitter, pediu desculpas por Remo Lupin ter morrido em uma batalha. Foi assim duas semanas depois, quando, em nome da liberdade de expressão, defendeu o direito de Donald Trump ser “ofensivo” e “preconceituoso”. Ontem mesmo se manifestou criticando o “bando de racistas” que desaprova a atriz negra que interpreta Hermione no teatro – uma bola dentro da autora, diga-se.
A verdade é que dificilmente há uma semana sem que Rowling dê algum motivo para virar notícia. Escrever uma obra que se tornou referência para jovens do mundo inteiro, vendeu mais de 450 milhões de exemplares e a transformou em uma das pessoas mais ricas do mundo, com fortuna superior a US$ 1 bilhão, não lhe bastou. Parece que tal qual um dementador sugando a felicidade dos bruxos, a autora precisa da atenção constante dos fãs para que não mingue. Mas ela é uma pessoa ainda jovem – tem 50 anos -, então por que não tenta construir outra obra de tamanho sucesso junto ao público que já possui? Ou por que gasta tanta energia criando factoides em vez de trabalhar melhor o seu Robert Galbraith, pseudônimo com o qual publica livros policiais?
Fui um jovem que cresceu lendo “Harry Potter” e odiava deixar aquele universo fantástico quando cada livro acabava. Pelo visto, Rowling sofre do mesmo problema, no entanto, como ela é a dona do brinquedo, jamais conseguiu, de fato, sair dos cantos e entornos de Hogwarts. E, enfeitiçada pelos holofotes, jamais sequer tentou não estar em evidência.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Relembre dez clássicos infantojuvenis que mereciam virar filmes

Entre tantos clássicos da literatura infantojuvenil que marcaram a infância, quais você escolheria para ver nos cinemas? Com o lançamento na quinta-feira (14) da versão cinematográfica de "O Escaravelho do Diabo", o sentimento nostálgico tomou conta dos adultos.
O livro de Lúcia Machado de Almeida é um dos principais nomes da antiga coleção "Vaga-Lume", da editora Ática, que desde a década de 1970 mexe com o imaginário de tantos jovens leitores.
A falta de filmes para o público infantojuvenil chama atenção no cinema nacional. "Talvez o cinema nacional tenha visto a criança até agora como criança. E a criança cresceu, amadureceu no sentido de ser tão antenada quanto o adulto", falou o ator Marcos Caruso em entrevista ao UOL nesta semana.
Mergulhando em fantasia, suspense, investigação e terror, os jovens que leram a coleção Vaga-Lume e outros clássicos infantojuvenis quando estavam no ensino fundamental agora já estão adultos. Entre tantas obras, selecionamos algumas que seriam grandes apostas para conquistar novos e antigos fãs nas telonas.
. "O Mistério do Cinco Estrelas" (Marcos Rey)
Reprodução
Figura carimbada na coleção Vaga-Lume, Marcos Rey (pseudônimo de Edmundo Donato) lançou o suspense em 1981. Léo, um carregador de malas de um hotel luxuoso em São Paulo, acaba encontrando o corpo de um homem debaixo da cama de um dos hóspedes mais importantes, o Barão.
O garoto de 16 anos chama a polícia, mas decide resolver o caso sozinho, claro, com a ajuda dos amigos do colégio. A turma entrevista inúmeros funcionários e clientes do hotel, passando por situações perigosas para chegar à verdade.

. "O Esqueleto Atrás da Porta" (Stella Carr)
Stella Carr aborda o comércio de drogas nas escolas e descreve personagens típicos encontrados em todos os colégios. O empolgante e misterioso enredo sobre a discussão do tema central, do envolvimento de menores com questões ilícitas, transmite uma mensagem ao leitor. O nome "O Esqueleto Atrás da Porta" vem da ideia de algo que tenta ser escondido para não denegrir a imagem de alguém.
. "A Droga da Obediência" (Pedro Bandeira)
Reprodução
Publicado em 1984, "A Droga da Obediência" é o primeiro livro da série "Os Karas", grupo formado por jovens talentosos e inteligentes que precisam lutar contra o misterioso doutor Q.I e sua poderosa droga, transformando todos em fiéis seguidores.
Esse foi o primeiro livro da série. Ainda na sequência, "Pântano de Sangue", "Anjo da Morte" e mais três obras contam as aventuras da turma.
. "Na Mira do Vampiro" (Claudio José Lopes dos Santos)
Um vampiro à solta na cidade do Rio de Janeiro é motivo para qualquer jovem ficar preocupado ou destemido. A dupla Duda e Toninho criam coragem e vão atrás do misterioso caso. Passando por aventuras e situações engraçadas, os dois acabam criando uma história que intriga o leitor e não o deixa descansar o livro até saber se o bendito monstro foi encontrado.
. "A Turma da Rua Quinze" (Marçal Aquino)
Reprodução
Outro clássico da década de 1990, "A Turma da Rua Quinze" conta a série de sumiços de moradores de um bairro, que acabavam como desaparecidos. Marcão é um desses que não foram encontrados ainda, levando os pais à polícia e os amigos a bolar um plano para tentar resolver o problema. Enquanto isso, o cachorro Napoleão cisma com um sinistro vizinho, que se mudou faz pouco tempo e cuja enorme cicatriz no rosto chama a atenção.
. "A Ilha Perdida" (Maria José Dupré)

Publicado originalmente em 1944, estima-se que já tenha vendido mais de 3 milhões de unidades. Resgatado pela editora Ática, o livro apresenta os irmãos Eduardo e Henrique, que passam as férias na fazenda da família.
Após ficarem o dia montando a cavalo, brincando no lago e percorrendo o grande terreno da localidade, a dupla encontra uma ilha distante do outro lado da margem do rio. Curiosos, eles se preparam para chegar à misteriosa região.
. "O Rapto do Garoto de Ouro" (Marcos Rey)
Reprodução
Um dos livros mais lembrados da coleção "Vaga-Lume", a obra de Marcos Rey é contada em São Paulo. O recente sucesso de Alfredo como músico foi logo seguido pelo sequestro do garoto. Os amigos mais próximos acabam tomando o caso como investigadores profissionais e vão apurar os fatos para tentar desvendar quem fez isso com o amigo.
. "O Segredo da Casa Amarela" (Giselda Laporta Nicolelis)
Wanderlei, Zarolho, Camaleão, Jaime e Pedro são amigos e xeretas por natureza. Intrigados com uma misteriosa casa amarela, que fica justamente na frente do campinho onde eles jogam bola, o quinteto decide investigar. Homens misteriosos entram e saem da casa a toda hora, e algo está enterrado no quintal.
. "A Vida Secreta de Jonas" (Luiz Galdino)
O escritor Luiz Galdino baseou o livro em uma notícia que viu quando ainda era pequeno: um garoto do interior de Goiás que, além de estranho, não sabia de onde vinha. Com o caso na cabeça por tanto tempo, o livro foi publicado em 1989, com um enredo semelhante, que mistura ficção científica e suspense.
. "Meninos Sem Pátria" (Luiz Puntel)
Reprodução
Introduzindo um tema mais complexo aos adolescentes, Luiz Puntel apresenta uma família que procura exílio durante a ditadura militar. Em cada país, uma mudança acaba acontecendo e a família precisa se ajustar para conseguir lidar com a situação e deixar de lado a saudade da pátria.
O narrador da história é Marcos, filho mais velho de Zé Maria e Tereza, cujo pai era dono do jornal "O Binóculo" e foi responsável por denunciar casos de corrupção na cidade onde moravam.

Inédito de Antonio Candido cita raridade “escabrosa” de Oswald de Andrade

Antonio Candido
Para comemorar os dez anos do Festival Literário de Poços de Caldas – a Flipoços, que neste ano chega a sua 11ª edição entre os dias 30 de abril e 8 de maio -, a organização do evento convidou 15 escritores renomados para escreverem sobre as relações que tiveram com a cidade no sul de Minas.
Enquanto “Poços é uma Festa”, o livro com essas peças, permanece sem previsão para lançamento, a Flipoços autorizou que o Página Cinco publicasse um dos textos até então inéditos, de autoria do crítico literário e sociólogo Antonio Candido, hoje com 97 anos, um dos nomes mais importantes das letras no país.
Em “A Cidade, A Casa e Os Livros”, Candido lembra da sua infância e juventude na cidade, remonta parte da sua formação como leitor e cita quando se deparou com a primeira edição de “Serafim Ponte Grande”, uma raridade de Oswald de Andrade, responsável por palavras e cenas “escabrosas”, segundo o crítico.
Eis o manuscrito (a transcrição está abaixo):
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A cidade, a casa e os livros
(Memórias)
Antonio Candido
Para mim, Poços de Caldas está associada de modo essencial à ideia do livro e da leitura. A cidade tinha 12.000 habitantes quando nela fomos morar, em janeiro de 1930. Eu ia pelos onze anos e meio e era um pequeno leitor compulsivo, atraído pelos livros de modo um pouco maníaco. Tendo lido até então, desde os seis anos, livros infantis e já alguns para adultos, mergulhei nestes em Poços, encontrando condições favoráveis para isso.
Meu pai era médico, mas além dos livros ligados à sua profissão tinha uma biblioteca de filosofia, história e literatura. Ela ficara na maior parte guardada alguns anos no Rio de Janeiro, enquanto morávamos na cidade sul-mineira de Cássia. Abrindo os caixotes, meus irmãos e eu fomos vendo sair deles centenas de volumes, nas suas brochuras leves ou em sólidas encadernações. Nossos pais nos estimulava, a lê-los, nos puxando sempre para cima, isto é, para obras destinadas a adultos, das quais meu pai costumava nos ler e comentar trechos depois do jantar, antes de ir para o escritório e seus estudos.
Em Poços fui aluno de um curso de admissão o ginásio da notável educadora D. Maria Ovídia Junqueira, senhora muito culta, que eu escolheria no futuro remoto para se patrona da cadeira que tenho o privilégio de ocupar na Academia Poçocaldense de Letras. Ela orientou minhas leituras com o mesmo espírito de “puxar para cima” de meus pais. Seu marido, Afonso Junqueira, falecido prematuramente havia pouco quando chegamos, era grande leitor, como ela, e ficara com uma pequena parte da biblioteca de Pedro Sanches de Lemos, seu cunhado. Eu tinha livre acesso a ela e a aproveitei muito. D. Maria Ovídia foi em seguida minha professora de inglês no curso ginasial. Criada por uma tia cujo marido era pastos presbiteriano norte-americano, era bilíngue e me iniciou na cultura de língua inglesa, complementando assim a maciça influência francesa que meus irmãos e eu recebemos em casa e numa longa estadia na França.
A uma amiga italiana de D. Maria Ovídia e de minha mãe, frequentadora semanal de nossa casa, D. Teresina Carini Rocchi, devo a iniciação da cultura de seu país. Era socialista, antifascista intransigente, lia sem parar, mas não conservava os livros, para que, ao circularem, difundissem o saber, guardando apenas os de consulta e de leitura constante, como os poemas de Giacomo Leopardi. Sobre a sua personalidade vulcânica e admirável publiquei faz muito tempo em texto longo.
Além disso, Poços de Caldas proporcionou a mim e meus irmãos o acesso a uma livraria pequena, mas de qualidade a Vida Social, situada na antiga Rua Bahia, atual Prefeito Chagas, onde podíamos comprar não apenas livros em português, mas em francês e inglês. Os livros brasileiros se enquadravam na maior parte do grande movimento renovador dos anos 1930 e 40, quando o Brasil estava, por assim dizer, mudando de pele. Foi o tempo da produção de obras importantes de economia, política, estudos sociais, bem como de incorporação do Modernismo e fecundação das literaturas regionais. Nós, adolescentes de Minas, íamos conhecendo por essas vias um Brasil diferente, – nos romances de Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado, Raquel de Queirós, Amando Fontes, Érico Veríssimo e outros hoje esquecidos. E também estudos históricos, sociológicos, antropológicos, políticos de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Artur Ramos, Caio Prado Júnior, tudo em geral disponível na Vida Social.
Meu parceiro fraterno nessa aventura foi com colega de ginásio, neto de Pedro Sanches, sobrinho neto de Afonso Junqueira e, portanto, de D. Maria Ovídia: José Bonifácio de Andrada e Silva. Volta e meia íamos rondar a Vida Social na altura das cinco da tarde, quando chegava o trem e com ele, quem sabe, o livro que estávamos esperando e o encarregado da livraria, João Vilela, extrairia dos pacotes. No caso positivo, nós pegávamos e talvez fôssemos depressa começar a leitura ali perto, nalgum banco da Praça Pedro Sanches, com a incomparável sofreguidão literária da adolescência.
A Vida Social tinha singularidade, a maior das quais talvez tenha sido, como percebi muitos anos depois, o fato de ter sido a única, em toda a minha vida de frequentador contumaz de livrarias, onde vi posto à venda, em 1934, o Serafim Ponte Grande, de Oswald de Andrade, magra brochura editada à custa do autor, com tiragem creio que de apenas 500 exemplares pouco distribuídos. Muito divertidos com seu humor esfuziante e desbragado, José Bonifácio e eu o folheamos male mal na própria livraria com licença do amigo João Vilela, pois não ousaríamos levá-lo para casa à vista das muitas cenas e palavras “escabrosas”, como dizia então. O que diriam os pais? Quanto ao público, só teve acesso fácil ao Serafim na 2ª edição, de caráter regular, quase quarenta anos depois…
Outra singularidade para uma livraria de cidade do interior eram os livros que vendia nas línguas originais, como referi. Livros franceses clássicos da Editora Garnier, de Paris, livros modernos da Plon e da Stock, bem como livros ingleses da Tauchnitz e outras. Orientado por minha mãe, comprei lá em belas encadernações os “moralistas franceses” dos séculos XVI a XVIII, que foram fundamentais ao longo dos anos para a minha concepção do homem.
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Meu pai morreu prematuramente em 1942 e minha mãe foi morar em São Paulo, onde já estavam os filhos, mas conservamos a casa e nela íamos sempre. Minhas filhas e meus sobrinhos a frequentaram até a maturidade e depois foi a vez dos netos. Minha filha Ana Luiza contou a sua experiência caldense no livro que escreveu sobre a sua infância: O pai, a mãe e a filha. Como disse com precisão poética em um dos seus livros meu irmão Roberto, “a casa era a nossa epiderme de alvenaria”, e até 1989, quando a vendemos, uma espécie de sede da família. Para mim, foi sempre um remanso onde eu ia ler e escrever até que um dia os livros e as pessoas migraram e ela própria acabou desaparecendo fisicamente. Mas para nós, é como se, lembrando o verso de Manuel Bandeira, continuasse
Intacta, suspensa no ar.
Cumprimentos cordiais
Antonio Candido de Mello e Souza

Trailer: CAPITÃO AMÉRICA GUERRA CIVIL


Assista agora o trailer do filme: Mogli, o filme que desbancou Batman e Superman


Veja lista completa dos dez filmes mais visto no fim de semana no Brasil


1 - "Mogli: O Menino Lobo" - R$ 9,48 milhões em bilheteria e 569 mil ingressos vendidos
2 -"Batman vs Superman" - R$ 7,58 milhões em bilheteria e 454,2 mil ingressos vendidos (acumulado de R$ 115,1 milhões e 7,3 milhões de ingressos)
3 - "Zootopia" - R$ 1,8 milhão em bilheteria e 135,2 mil ingressos vendidos (acumulado de R$ 34,8 milhões e 2,4 milhões de ingressos)
"Invasão a Londres" - R$ 1,5 milhões em bilheteria e 96,1 mil ingressos vendidos (acumulado de R$ 5,5  milhões e 379 mil ingressos)
5 - "Rua Cloverfield, 10" - R$ 971,3 mil em bilheteria e 62,7 mil ingressos vendidos (acumulado de R$ 3,6 milhões e 258,6 mil ingressos)
6 - "Deus Não Está Morto 2" - R$ 750,7 milhão em bilheteria e 52,9 mil ingressos vendidos (acumulado de R$ 3 milhões e 239,2 mil ingressos vendidos)
7 - "O Escaravelho do Diabo" - R$ 639,1 mil em bilheteria e 43,5 mil ingressos vendidos 
8 - "Ave, César" -  R$ 511,6 mil em bilheteria e 25,3 mil ingressos vendidos
9 - "Mente Criminosa" - R$ 494,7 mil em bilheteria e 27,9 mil ingressos vendidos
10 - "Truman" -  R$ 271, mil em bilheteria e 15,3 mil ingressos vendidos

Mogli arrecada R$ 9,4 milhões e desbanca "Batman vs Superman" da liderança

A superprodução live-action da Disney, "Mogli: O Menino Lobo", chegou semana passada aos cinemas e tomou a liderança no ranking dos filmes que mais arrecadaram no período entre quinta-feira (13) a domingo (17), segundo dados da empresa de monitoramento comScore.
As aventuras do garoto selvagem desbancaram "Batman vs Superman", conseguindo arrecadar R$ 9,45 milhões nas bilheterias e atraindo um público de 569.078 pessoas, enquanto o filme da DC Comics fez R$ 7,58 milhões e levou 454.234 curiosos ao cinema.
"Mogli" conseguiu atrair mais público do que "Zootopia", por exemplo, que na semana de estreia arrecadou R$ 9,35 milhões . Os dados mais recentes da comScore também indicam uma queda acentuada do público. Entre os dias 7 e 10 de abril, para tomar como base, 1.759.667 pessoas foram ao cinema contra 1.482.699 neste fim de semana.
Na sequência do top 10, "Zootopia" continua agradando aos brasileiros e se manteve mais uma semana na 3º posição da lista, com R$ 1,88 milhão arrecadado e 135.283 ingressos vendidos. 
Eterno líder espartano de "300", Gerard Butler conseguiu atrair 96.148 pessoas para assistirem à "Invasão a Londres", que subiu uma posição em comparação à semana anterior, com R$ 1,55 milhão.
Em 5º lugar, o projeto ambicioso e elogiado de J. J, Abrams, "Cloverfield, 10", ainda chama a atenção. Neste fim de semana, o filme arrecadou 971.324 em 62.732 ingressos vendidos. 
A comédia "Deus Não Está Morto 2" é a próxima da lista, com R$ 750.756 arrecadados e 52.928 ingressos vendidos.
Menores, as outras produções estreantes não tiveram tanto destaque nas bilheterias. O nacional "O Escaravelho do Diabo", baseado no livro da coleção "Vaga-Lume", ficou na 7ª posição da lista, com R$ 639, 2 mil nas bilheterias.
"Ave, César", projeto dos irmãos Coen, "Mente Crimonosa", estrelando Kevin Costner, Ryan Reynolds e Gary Oldman, e "Truman", novo filme do argentino Ricardo Darin, completam a sequência.

Leia trecho de "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão", de Martha Batalha

  • Divulgação
    Capa do livro "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão", de Marta Batalha
    Capa do livro "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão", de Marta Batalha
Leia a seguir o início do primeiro capítulo de "A Vida Invisível de Eurídice Gusmão", de Martha Batalha, que sai pela Companhia das Letras em abril.
Quando Eurídice Gusmão se casou com Antenor Campelo as saudades que sentia da irmã já tinham se dissipado. Ela já era capaz de manter o sorriso quando ouvia algo engraçado, e podia ler duas páginas de um livro sem levantar a cabeça para pensar onde Guida estaria naquele momento. É verdade que continuava a busca, conferindo nas ruas os rostos femininos, e uma vez teve a certeza de ter visto Guida num bonde rumo a Vila Isabel. Depois essa certeza passou, como todas as outras que teve até então. 
Por que Eurídice e Antenor se casaram ninguém sabe ao certo. Alguns acreditam que as bodas se consumaram porque José Salviano e Manuel da Costa já estavam comprometidos. Outros apontam a doença da tia de Antenor como responsável pela união, já que agora ela não podia mais lavar as roupas do sobrinho com o sabão especial de lavanda, ou preparar a canja de galinha com pedaços transparentes de cebola, porque se Nonô apreciava o gosto de cebola detestava a sua textura, sendo um único pedaço camuflado no feijão capaz de lhe deixar com engulhos e arrotos por uma longa tarde regada a Alka-Seltzer. Há ainda aqueles que acreditam que Eurídice e Antenor de fato se apaixonaram, e que essa paixão durou os três minutos de uma dança a dois num baile de máscaras do Clube Naval.
A questão é que se casaram, com igreja lotada e recepção na casa da noiva. Duzentos bolinhos de bacalhau, dois engradados de cerveja e uma garrafa de champanhe para o brinde na hora do bolo. Um vizinho professor de violino se ofereceu para tocar na festa. Cadeiras foram empurradas contra a parede, para
os casais dançarem uma valsa.
Não havia muitas moças na festa, porque Eurídice não tinha amigas. Havia duas tias não muito velhas, uma vizinha não muito vistosa, uma outra não muito simpática. A jovem mais bonita estava na imagem do único porta-retratos da sala.
"Quem é a moça da foto?", perguntou um amigo do noivo.
Antenor cutucou o amigo, disse que aqueles não eram modos. O moço ficou sem graça, olhou para os lados, olhou para o copo na mão. Deixou a cerveja na mesa e foi para a outra ponta da sala.
Foi uma cerimônia simples, seguida por uma festa simples, e por uma lua de mel complicada. O lençol não ficou sujo, e Antenor se indignou.
"Por onde raios você andou?"
"Eu não andei por canto algum."
"Ah, andou, mulher."
"Não, não andei."
"Não me venha com desculpas, você sabe muito bem o que deveríamos ter visto aqui."
"Sim, eu sei, minha irmã me explicou."
"Vagabunda. Eu me casei com uma vagabunda."
"Não fale assim, Antenor."
"Pois falo e repito. Vagabunda, vagabunda, vagabunda."
Sozinha na cama, corpo escondido sob o cobertor, Eurídice chorava baixinho pelos vagabunda que ouviu, pelos vagabunda que a rua inteira ouviu. E porque tinha doído, primeiro entre as pernas e depois no coração.
Nas semanas seguintes a coisa acalmou, e Antenor achou que não precisava devolver a mulher. Ela sabia desaparecer com os pedaços de cebola, lavava e passava muito bem, falava pouco e tinha um traseiro bonito. Além do mais, o incidente da noite de núpcias serviu para deixá-lo mais alto, fazendo com que precisasse baixar a cabeça ao se dirigir à esposa. Lá de baixo Eurídice aceitava. Ela sempre achou que não valia muito. Ninguém vale muito quando diz ao moço do censo que no campo profissão ele deve escrever as palavras "Do lar".
Cecília veio ao mundo nove meses e dois dias depois das bodas. Era uma bebê risonha e gordinha, recebida com festa pela família, que repetia: É linda! 
Afonso veio ao mundo no ano seguinte. Era um bebê risonho e gordinho, recebido com festa pela família, que repetia: É homem!
Responsável pelo aumento de cem por cento do núcleo em menos de dois anos, Eurídice achou que era hora de se aposentar da parte física de seus deveres matrimoniais. Tentou explicar a decisão para Antenor, através de umas indisposições que passou a ter, nas horas soltas das manhãs de sábado e naqueles momentos
escuros, depois das nove da noite. Mas Antenor não queria saber de não me toques. Ele era um homem de hábitos e de rotinas, como aquela que envolvia achegar-se à camisola da mulher e afundar o nariz no macio do pescoço branco. Eurídice então se fez ouvir de outras formas. Ganhou um monte de quilos que
falavam por si, e gritavam para Antenor se afastar.
Ela emendava o café da manhã no lanche das dez, o almoço no lanche das quatro e o jantar na ceia das nove. Intervalos eram preenchidos com as sobras de papinhas e as provas de comida, para saber se tinha muito ou pouco sal, muito ou pouco açúcar, muito ou pouco gosto. Ganhou três queixos, essa Eurídice. Parece que seus olhos diminuíram, e seus cabelos não eram suficientes para emoldurar tantas feições. Quando viu que estava no ponto, que era o ponto de fazer o marido nunca mais se aproximar, adotou formas saudáveis de alimentação. Fazia dieta nas manhãs de segunda-feira e no intervalo entre as refeições.
O peso de Eurídice se estabilizou, bem como a rotina da família Gusmão Campelo. Antenor saía para o trabalho, os filhos saíam para a escola e Eurídice ficava em casa, moendo carne e remoendo os pensamentos estéreis que faziam da sua uma vida infeliz. Ela não tinha emprego, ela já tinha ido para a escola, e como preencher as horas do dia depois de arrumar as camas, regar as plantas, varrer a sala, lavar a roupa, temperar o feijão, refogar o arroz, preparar o suflê e fritar os bifes?
Porque Eurídice, vejam vocês, era uma mulher brilhante. Se lhe dessem cálculos elaborados ela projetaria pontes. Se lhe dessem um laboratório ela inventaria vacinas. Se lhe dessem páginas brancas ela escreveria clássicos.