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terça-feira, 22 de julho de 2014
segunda-feira, 21 de julho de 2014
sábado, 19 de julho de 2014
UM DIA QUALQUER
UM DIA QUALQUER
O que você faria
se soubesse o seu futuro?
O
que você faria se, ao se levantar de manhã para o trabalho já soubesse tudo o
que fosse lhe ocorrer?
As
coisas boas e as ruins.
Confesso
que eu não saberia o que fazer.
Talvez,
procuraria manter ou mudar meus atos; dependendo do que pudesse acontecer eu tentaria
mudar os fatos, procuraria melhorar, pensar melhor. Tentaria enganar o destino.
Talvez!
Mas,
sinceramente? Não tenho certeza.
Muitos
dizem que, quando algo vai nos acontecer, seja de bom ou ruim, sentimos. Nosso
corpo ou nossa mente, nem se for por um segundo, sente. E quando o imprevisível
acontece sentimos que já sabíamos que aquilo poderia acontecer.
Mas,
naquele dia eu nada senti. Era um dia normal. Como todos os dias, levantei
cedo, tomei meu banho e saí para o trabalho.
Nenhum
sentimento. Nenhuma premunição. Nada. Nada que pudesse me preparar para o que
estava por vir.
Mesmo
agora me pergunto: se eu, por um acaso soubesse o que estava por vir, o que eu
faria? Tentaria mudar os fatos? Ou deixaria o destino agir com sua lógica,
ilógica. Com seus caminhos estranhos, que no final, nos levam para um só lugar.
Se
eu soubesse o que estava por vir, eu mudaria meus atos para com meus amigos?
Meus conhecidos? Minha família? Eu procuraria ser uma pessoa melhor?
Não
sei.
Mesmo
depois de tudo o que aconteceu eu, eu ainda não sei o que dizer. Não sei o que
pensar. Não sei o que fazer, ou, no meu caso, não sei o que faria.
Naquele
dia tudo ocorreu como sempre.
Trabalho.
Almoço. Trabalho. Lanche da tarde. Trabalho.
Nenhum
pensamento. Nenhum sentimento. Nenhum pressentimento.
Mas,
algo estava por vir. Algo que mudaria a minha vida e a de meus amigos e
familiares para sempre.
E
eu... Eu sequer imaginava que fosse acontecer.
Saí
do trabalho no mesmo horário de sempre. Tomei o mesmo ônibus, lotado como
sempre, com as pessoas de sempre. Você pode não acreditar, mas, depois de anos
fazendo todos os dias as mesmas coisas, tomando sempre o mesmo ônibus, no mesmo
horário, eu reconhecia cada um daqueles rostos. Apesar de nunca ter trocado
qualquer palavra com quem quer que fosse. Pelos olhares, conhecia cada um. E
imaginava as suas histórias. Percebia seus medos, seus anseios. E muitas vezes
imaginava quais seriam seus sonhos.
Aquele
era um dia qualquer. Um dia como qualquer outro que eu vivera até então.
Ledo
engano.
Desci
do ônibus e como sempre, passei na mercearia, comprei um refrigerante gelado
para o jantar e sai andando pela rua movimentada. Àquela hora as pessoas como
eu, estavam voltando para casa do trabalho. As crianças andavam de bicicleta e
corriam pela rua de terra batida. Brincavam felizes. Muitos adultos estavam nos
barzinhos tomando cervejas, jogando sinuca ou jogando conversa fora. Tudo dentro
da normalidade.
Muitas
vezes uma atitude faz com que o futuro, o seu futuro, seja mudado. Para o bem.
Para o mal. Uma parada em um local
qualquer. Uma saída atrasada, ou adiantada. Até o fato de almoçar ou não pode
trazer sérias conseqüências.
Após
a parada na mercearia comecei a subir o morro.
De
repente tiros.
As
pessoas começaram a correr de um lado para o outro. Começaram a procurar abrigo
contra as balas, que passavam vindas de todos os lados. Balas que cortavam o ar
acertando as paredes dos barracos, suas janelas seus tetos, balas que não
tinham endereço próprio.
Que
vida!
Quase
todos os dias era a mesma coisa. Não importava o sofrimento. Não importava o
que passávamos no trabalho. Na volta era a mesma coisa. A briga entre o bem e o
mal, se é que essa briga realmente existe. Até por que, no meio dela estávamos
nós. Trabalhadores honestos, cansados após um dia estafante. Pais de família,
estudantes, crianças. Todos nós estávamos ali, cada um tentando se salvar.
Salvar a própria pele. Livrar-se da morte iminente.
Aquele
era um dia qualquer, quantos destes eu tivera. Quantas vezes passei a noite na
rua sem poder voltar para casa por causa desta luta a qual eu nunca fizera
parte.
Mas,
naquele dia, tudo mudou. A minha vida. A vida dos meus familiares mudou sem
avisar. Sem pressentimentos ou sonhos.
Aquele
dia, não era um dia comum. Não era um dia qualquer. Era o dia da mudança, da
transformação.
Escondido
entre os barracos se protegendo das balas que insistiam em cruzar o ar em busca
de um destino, ouvi um barulho, um grito de terror. Procurei ver o que estava
acontecendo, foi quando percebi que o grito estava sendo direcionado a mim.
“O
que eu fiz?” – pensei – “O que está acontecendo?”
Então
percebi que a minha camisa estava molhada, mas, não era água. Era um líquido
quente vermelho vivo, que insistia a sair de mim. Rapidamente meu corpo foi
enfraquecendo, minha visão foi escurecendo. De repente eu já não ouvia os
gritos de desespero da mulher. De repente, nada mais ouvi ou senti e tudo, tudo
se transformou em nada.
Para
mim era um dia comum. Um dia como qualquer outro. Um dia em que vivi.
Trabalhei. Diverti-me.
E
mesmo agora, depois de tudo o que aconteceu ainda não sei dizer, que, seu eu
soubesse seu desfecho faria diferente.
Por
que aquele foi um dia comum. Um dia que jamais esqueci. Aquele foi meu ultimo
dia, foi o dia em que morri.
Marc Souza
segunda-feira, 14 de julho de 2014
DETALHE
Ele passou o dia todo procurando emprego, mas, em vão.
Andou,
andou, andou e nada. Sem emprego. Uma proposta sequer. Mais um dia em vão. Mais
um dia sem conseguir aquilo que mais desejava naquele momento: Um emprego.
Era
só isso que desejava: Um emprego.
Havia
muito meses não encontrava um “bico” sequer.
O
dinheiro estava acabando. Não só o dinheiro, indispensável para a sua
sobrevivência, mas a esperança também estava se esvaindo. Estava triste e
desanimado, mas, procurava não desistir. Estava difícil, mas, não podia
desistir.
Ele
tinha que continuar, e acreditar, que logo as coisas iriam melhorar. Logo
estaria empregado e feliz novamente.
Cansado
pelo dia estafante ele resolveu sentar-se no banco da praça. As pessoas iam e
viam, passavam pela sua frente, mas, ele estava tão absorto em seus
pensamentos, que não via nada. Somente vultos que transitavam à sua frente.
Pessoas sem rostos e sem histórias. Pessoas como ele, invisíveis ao sistema. Um
sistema falido, que o considerava, apesar da pouca idade, quase um inválido.
A
desculpa era sempre a mesma: Quando ele tinha experiência no trabalho, estava
muito velho. Quando não conhecia o trabalho ele não tinha a experiência que a
empresa esperava.
Era
isso que estava vivendo. Uma vida de insegurança e medo. Uma vida de
sentimentos diversos. Decepção. Desânimo. Medo.
Sentado
naquele banco alheio ao que estava acontecendo, à sua volta, deixou-se abater.
De repente não tinha mais forças para sair dali. De repente não queria mais
sair dali. Estava totalmente entregue.
As
horas foram passando e ele foi ficando. Ficando. Imóvel. A noite estava caindo
e ele ali. Olhando para o nada.
Com
a noite os personagens da praça foram mudando. Logo uma mulher, com trajes
mínimos pára à sua frente.
-
Olá bonitão – diz ela se oferecendo a ele, que, a ignora – Bonitão – ela não
desiste – Bonitão, estou falando com você.
-
Oi – responde educadamente, mas sem prestar muito atenção a ela.
-
Você, não esta interessado? – continua ela mostrando-lhe o corpão.
-
Interessado? – pergunta totalmente desinteressado.
-
Você não esta interessado em se divertir um pouco. Fazer um programinha.
-
Fazer um programa?
-
Isso mesmo, meu lindo – diz ela sentando-se ao seu lado.
Ele
olha para ela, pega a carteira e conta o dinheiro que tem. Pensa um pouco,
então decide:
-
Acho que sim – responde ele.
-
Acha, ou tem certeza? – ela pergunta fazendo carinho nele.
-
Vamos lá - diz ele já se levantando abraçado a ela – Mas eu tenho que te dizer
algo.
-
O que quiser meu lindo! Você pode dizer o que quiser, paixão
-
Cobro cem reais!
Marc
Souza
sábado, 12 de julho de 2014
CONVERSA MÉDICA
CONVERSA
MÉDICA
Em
um consultório médico.
- Então doutor, o senhor... O senhor
tem certeza? – pergunta ela.
- Absoluta! Certeza absoluta! –
responde o médico.
- E o que eu preciso fazer para... O
senhor sabe...
De repente ela se sente totalmente perdida,
cheia de duvidas. Afinal, nunca esperou viver tal situação.
- Primeiramente, repouso. Muito
repouso. Uma boa alimentação. E claro, evitar qualquer tipo de esforço. Ah!
Outra coisa, o acompanhamento médico é fundamental.
- E remédios? Quais remédios devo
tomar?
- Remédios? – começa a pensar –
Remédios? Tem algo que você pode tomar, mas, vou ser sincero, esses remédios só
vão amenizar os sintomas. Infelizmente qualquer remédio que eu lhe receitar de
nada vai adiantar. Os sintomas vão continuar, eles podem diminuir a
intensidade, mas, vão continuar. Nenhum remédio vai cortar os sintomas por
completo. Nenhum.
- Entendo.
- Vou receitar alguma coisa para
você, para amenizar um pouco o que você vai sentir neste tempo. Mas o
importante é que você se alimente bem, e repouse. Repouse muito, ok?
- Sim! Sim senhor! Mas doutor?
- Pois não!
- Quanto... Quanto tempo?
- Como?
- Doutor, quanto tempo tenho? Quero
dizer, quanto tempo falta?
- Sete meses!
- Sete meses?
- Exatamente, dentro de sete meses, você
será uma linda. Uma linda mamãe. Parabéns!
Marc
Souza
quarta-feira, 9 de julho de 2014
quinta-feira, 3 de julho de 2014
A DECLARAÇÃO
A DECLARAÇÃO
Naquele dia, entrou no ônibus decidido; Iria se declarar a ela. Dizer que a amava. Que ela era o grande amor de sua vida. Há dias pensava nisso e naquele momento havia tomado a grande decisão. Não mais esconderia seus sentimentos. Não mais.
Ele a amava desde o primeiro dia que a vira entrar naquele ônibus lotado. De repente, na confusão de pessoas que procuravam se acomodar dentro do ônibus lotado ela surgiu. Linda. Radiante. De uma hora para outra tudo se transformou. Não havia mais caos. Não havia mais desconforto. De uma hora para outra o sofrimento, a dificuldade daquela situação transformou-se em prazer. Prazer em vê-la mesmo que a distância. Seus olhos. Seus cabelos. Seu jeito meigo de ser. De repente se viu apaixonado. Perdidamente apaixonado por aquela garota.
A partir daquele dia ele não via a hora de tomar o ônibus de manhã. Apesar do sofrimento que era enfrentá-lo naquele horário, horário em que todos iam para o trabalho. Queria vê-la. Nem se fosse de longe. Ele fazia de tudo para ficar próximo a ela. Algumas vezes, quando tinha lugar para ele sentar, logo que ela entrava no ônibus usava de seu cavalheirismo passando-lhe o lugar. Quando não, fingia dormir para que ninguém sentasse ao seu lado na poltrona até ela chegar.
E trocavam olhares. Trocavam sorrisos. Mas nunca, nunca conversaram. Nunca trocaram uma palavra sequer. Até aquele dia. Aquele fatídico dia.
Na noite anterior ele ensaiara todos os passos que daria na manhã seguinte. A forma de se comportar. As palavras a dizer. Ficou horas e horas na frente do espelho. De manhã, tomou um banho. Passou sua melhor colônia e saiu. Decidido. Iria definitivamente entregar-se a seu grande amor.
O ônibus estava praticamente vazio quando entrou. “Um sinal” – pensou - “Um bom sinal”. Encontrou uma poltrona vazia e sentou-se. Para que ninguém sentasse ao seu lado fingiu dormir. Vez ou outra abria os olhos discretamente observando a movimentação dos passageiros, mas, mais uma vez tudo ocorreu bem. Tudo estava contribuindo para que ele naquela manhã se entregasse ao amor. E declarasse de uma vez todo o amor que sentia por ela.
Mais uma parada e lá vem ela. Bela. Iluminando todo o local. Trazendo luz às trevas do seu coração. Trazendo o cantar dos pássaros ao silêncio da sua vida. Ele fica nervoso. Tenso. Ansioso. De repente seu coração começa a bater forte. A respiração esta ofegante, mas ele luta contra a ansiedade com todas as suas forças. Então se levanta e oferece um lugar ao seu lado. Ela lhe sorri e senta-se.
“Agora é a hora” – pensa – “Tudo esta saindo como planejado” “É um sinal”.
Estão lado a lado. Ele tenta conter a ansiedade antes de puxar conversa com ela, afinal não quer passar vergonha na frente da pessoa amada. Tenta controlar a respiração, abaixar os batimentos cardíacos. Afinal parece que o seu coração vai sair pela boca.
Trocam olhares. Sorrisos.
“É hoje.” “Tem que ser”. “Meu Deus! Como ela é linda!”. “Linda!”.
Ela olha para ele e sorri. Um sorriso que o deixa hipnotizado. Paralisado. “Ela me ama, vejo em seus olhos”. “Seu sorriso”. “Seu olhar”. “É agora, tem que ser”.
Encorajado com a situação, ele a olha ternamente. Um olhar de pessoa apaixonada. Então, antes de se declarar:
- Moço!? – começa ela - O senhor... Desculpe, mas... O senhor esta com uma caquinha no nariz. Bem aqui ó... – completa fazendo um sinal.
Foi um banho de água fria. A vergonha tomou conta dele, que, limpando o nariz rapidamente levantou-se e saiu, em silêncio. Logo no primeiro ponto que o ônibus parou, ele desceu, e nem olhou para traz.
Marc Souz (escritor)
Este conto está no meu livro casos Acasos e DEScasos à venda na Aped Editora Aped no link:
http://www.apededitora.com.br/livraria-virtual/
Seção entretenimento
Ou no email: marcsouz@yahoo.com.br
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